ELEIÇÕES 2018

Mourão reafirma que famílias pobres são "fábricas de desajustados"

Vice de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão, retoma fala sobre famílias criadas por mães e avós serem "fábrica de desajustados" e vai além: o real problema são os pobres. Novamente, Mourão sai com declarações machistas, racistas e elitistas, colocando no banco de réu a população pobre.

quarta-feira 26 de setembro| Edição do dia

Em uma entrevista concedida na última terça feira à rádio Guaíba, em Porto Alegre, o general da reserva Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro na chapa representante dos setores mais reacionários e golpistas da política brasileira, além das crescentemente intervencionistas forças armadas, redobrou em sua afirmação de que famílias com só mães e avós seriam “fábricas de desajustados para o tráfico".

Quando questionado sobre a afirmação, que recebeu enorme rechaço de amplos setores contra machismo e moralismo do general, ele decidiu não só manter a afirmação, como fez questão de destacar “Existe a família criada por mãe e avó que tem recursos, essa não é o problema” disse Mourão, continuando que os “elementos desajustados” como coloca ele, viriam, especificamente das famílias pobres, onde não há pai porque “já foi preso ou morreu”. Enquanto diz isso, deixa completamente esquecidas todas as mortes diárias nas mãos da polícia sangrenta e racista, que sua chapa propõe como solução para a violência.

As absurdas declarações de Mourão, colocando as mães solteiras (agora especialmente as da classe trabalhadora) no banco de réu por criarem “elementos que afetam toda a sociedade” evidenciam as visões machista e elitistas dessa chapa. A ideia por trás de tal discurso é clara: apagar a situação de miséria capitalista que cria a violência social; negar a absoluta precarização da vida dos mais pobres, que leva muitos jovens sem oportunidades ao tráfico; e esconder a super exploração da super exploração da dupla jornada feminina, especialmente entre mulheres negras e da classe trabalhadora.

Depois de ser repreendido mesmo pela reacionária, golpista e escravista Rachel Sheherazade, que aderiu ao movimento #EleNão, tentando capitalizar uma suposta “sororidade universal" mesmo com exploradoras e opressoras para avançar uma agenda golpista e reacionária dentro do movimento de mulheres, Mourão tentou “esclarecer” que não era de famílias ricas que falava em seu discurso. Se soma agora a sua retórica machista e moralista, que tem como pano de fundo a oposição de Mourão às famílias “não tradicionais”, um caráter de classe, que vitimiza e culpabiliza ainda mais os trabalhadores pela miséria da crise capitalista.

Agora, mais do que nunca, se acentua o caráter de classe que tem a luta das mulheres contra o avanço da ultra direita reacionária, misógina, racista e LGBTfobica. Não é ao lado de golpistas e exploradoras como Sheherazade, Ana Amélia, ou Marina Silva, tampouco se aliando com esses setores (como propõe o PT) que o movimento de mulheres poderá derrotar os ataques mais duros que essa ultra direita quer aplicar contra as mulheres, os negros, os LGBTs e o conjunto dos trabalhadores. Agora, mais do que nunca, é vital uma estratégia real para levar a cabo uma luta contra todos os tipos de exploração e opressão que querem descarregar sobre nossas costas para fazer com que sejam as mulheres, especialmente as mulheres negras, entre os trabalhadores que paguem pela crise que eles criaram!

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É nesse sentido que é vital lutar, mas tendo clareza de que no capitalismo, os ataques de gênero também tem caráter de classe, como o próprio general Hamilton Mourão não deixa esquecer. Assim, convidamos todas e todos ao encontro regional do coletivo de mulheres Pão e Rosas no Rio de Janeiro, no dia 30/09, assim como a concentração para o ato Mulheres contra Bolsonaro, dia 29/09, para construir um movimento de mulheres com programa e estratégia, e sempre com independência de classe, longe da compactação com capitalistas, para derrotar os ataques, à extrema direita e lutar para que sejam os capitalistas que paguem pela crise!




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