Política

FORA BOLSONARO E MOURÃO!

Mourão e Heleno calam-se em dia de manifestações antifascistas por todo país

Ao contrário das semanas anteriores, em que costumam correr para celebrar as manifestações bolsonaristas, estas figuras militares até agora não se pronunciaram sobre as manifestações antirracistas e antifascistas de hoje.

domingo 7 de junho| Edição do dia

Os generais Hamilton Mourão, vice-presidente da República, e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não se pronunciaram até agora (17h) sobre os atos antifascistas e anti-racistas que acontecem em diversas cidades pelo Brasil.

Se nas semanas anteriores, os atos bolsonaristas eram os únicos nas ruas aos domingos, na semana passada os manifestantes pró-Bolsonaro já haviam tomado um apavoro das centenas de antifascistas nas ruas de algumas capitais brasileiras. Neste domingo, enquanto as pífias manifestações bolsonaristas não reuniram mais que algumas poucas dezenas de pessoas em algumas capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, as manifestações antifascistas e anti-racistas juntaram milhares nas capitais e cidades de interior em diversos estados.

O próprio presidente da República se limitou a relembrar a história da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutou junto ao Exército Americano na II Guerra Mundial, insinuando que o Exército Brasileiro seriam os “verdadeiros antifascistas”, algo evidentemente falso, evidenciado inclusive pelas tendências pró-Eixo que haviam nas Forças Armadas na época de Vargas. Seus filhos compartilharam fotos e vídeos de manifestantes sendo detidos arbitrariamente pela polícia nos atos de hoje.

Isso é uma demonstração de que estes setores estão analisando a situação, assustados com a entrada em cena de um novo fator político: a luta de classes. E eles estão corretos em temer: a força dos negros, das mulheres, dos trabalhadores, da juventude podem mudar totalmente a correlação de forças no regime e dos conflitos que vinham ocorrendo entre os militares e o STF, dois atores autoritários e burgueses.

A mudança no tom durante esta semana e o silêncio de hoje mostra a importância dos atos e de seguirmos nas ruas, neste momento em que as reaberturas estão sendo levadas a frente mesmo que a curva de contágios ainda esteja crescente, deixando os trabalhadores para morrer, voltando ao trabalho sem EPIs e sem leitos.

Mais do que lutar pela derrubada de Bolsonaro, precisamos lutar também pelo fora Mourão e contra essa corja de militares que vêm ganhando espaço cada dia mais na política nacional. Essa luta se combina a urgente necessidade de lutar em defesa de nossas vidas, contra a violência policial, por medidas básicas contra a pandemia de Covid-19, como testes massivos, a unificação dos sistemas público e privado de saúde, sob controle dos trabalhadores, e também a distribuição de EPIs para todos os trabalhadores, bem como a dispensa de todos aqueles que são de serviços não essenciais, sem demissões nem diminuição de salários.

Precisamos avançar contra esse autoritarismo de Bolsonaro e dos militares, que vem escalando. Temos que nos apoiar nas manifestações nos Estados Unidos que fizeram Donald Trump se esconder em um bunker na Casa Branca para atacar o governo. O que essas manifestações de hoje demonstram é que quando nós avançamos, eles se assustam, recuam. Devemos lutar sem nenhuma confiança no STF ou no judiciário, defendendo uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que os trabalhadores possam enfrentar todos os problemas profundos que assolam o país hoje.




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