EDUCAÇÃO

Mourão chama de hipocrisia o rechaço das comunidades universitárias à portaria do MEC

O vice-presidente general Mourão comentou nesta quinta-feira sobre a questão da volta ás aulas e chamou o rechaço da comunidade estudantil de hipocrisia. Enquanto isso, seu governo negacionista negligencia a segunda onda de Covid-19 e, como desde o início da pandemia, não faz o mínimo para combatê-la.

quinta-feira 3 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

"Acho que há uma certa hipocrisia nisso aí. A mesma turma que não quer voltar vai para a balada, vai para bar. Então, vamos ser coerentes nas coisas. Se não pode, não pode para tudo" disse o vice-presidente.

A fala do general é feita no sentido de justificar a portaria publicada ontem pelo Ministério da Educação que instituía o retorno presencial das universidades para 4 de janeiro e que, devido às recusas e repercussões negativas, foi revogada pelo MEC.

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Quando Mourão se refere ao rechaço à portaria do MEC como hipocrisia, ele repassa a responsabilidade dos casos e das mortes na pandemia para a população e para os estudantes. O vice-presidente pede coerência nas reivindicações da comunidade universitária e, a partir disso, retira sua responsabilidade pelo combate e controle da pandemia que desde seu início foram ignorados pelo governo.

Neste momento, em que há um alarmante aumento no número de casos de covid, em que o brasil registra em torno de 700 mortes e 50 mil casos por dia, tamanha é a simulação do governo de Bolsonaro e Mourão que, mesmo sem nenhuma condição para o retorno das aulas e sem nenhuma medida para o controle da pandemia, este tenta impor aos estudantes o retorno massivo às aulas presenciais, o que coloca em risco os próprios estudantes e também seus familiares.

Esse mesmo governo, que classifica como hipocrisia a reivindicação dos estudantes e professores serem aqueles a decidirem quando devem voltar as atividade presenciais, é o que não utilizou os recursos disponíveis para o combate a pandemia, que não realizou testagem em massa da população, e que ainda assim, deixou 6,8 milhões de testes com vencimento para dezembro e janeiro em estoque podendo serem desperdiçados

Bolsonaro, Mourão e seus ministros já demonstraram, através de vários posicionamentos, que não estão preocupados nem com os trabalhadores nem com as comunidades universitárias. Por isso, acreditamos que, quem deve decidir sobre as condições para o retorno, assim como a data e a estratégia para o mesmo, devem ser os estudantes, professores e demais funcionários de cada instituição juntamente com trabalhadores da saúde. Somente estes, que sabem e sentem a realidade da maioria dos trabalhadores e estudantes, pobres, sobretudo negros e que sofrem com a política inconsequente de combate a pandemia do governo, são quem devem ter o direito de decidir sobre as medidas que impactam profundamente suas vidas




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