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Motoristas de UBER fazem greve internacional por direitos trabalhistas com mobilizações também no Brasil

Nessa quarta-feira, 8, foi convocada uma greve internacional de motoristas de aplicativos como Uber, Lyft e 99Pop, em países como Estados Unidos, Reino Unido, mas também no Brasil.

quinta-feira 9 de maio| Edição do dia

A paralisação acontece no dia em que a Uber realizará a abertura de capitais (IPO na sigla em inglês), que promete render a empresa mais de 10,3 bilhões de dólares em vendas de ações na bolsa de valores, que poderá elevar o valor da companhia a U$ 90 bilhões. Seus principais executivos ganham milhões, os 5 principais executivos recebem compensações na ordem dos 143 milhões de dólares e o CEO 45 milhões.

Ao mesmo tempo, os motoristas vêm sofrendo perdas significativas nos salários, sobretudo pelo aumento da taxa cobrada pelo app, que varia entre 25 e 40% por corrida. Nesse dia, os motoristas exigem ampliação de direitos trabalhistas frente as inúmeras denúncias de violação desses direitos por parte da “empresa colaborativa”.

Segundo um dos organizadores da greve nos EUA, os motoristas têm quatro exigências básicas: aumento de salário, benefícios básicos, transparência na tomada de decisões e uma voz maior para os condutores. Em países como Chile, Argentina, Uruguai, Panamá e Costa Rica também está sendo realizado algum tipo de manifestação.

"Em sua documentação enviada para ir à bolsa, Uber disse que aumentaria a insatisfação entre os motoristas, porque eles planejam reduzir nosso salário e eliminar os incentivos", disse Sonam Lama, porta-voz do Uber, em comunicado.

"Não queremos que nossos salários permaneçam no mínimo. Queremos que a Uber responda a nós, não aos investidores. A economia compartilhada está explorando os trabalhadores tirando nossos direitos. Isso tem que parar. Uber é o pior exemplo disso", a declaração acrescentou.

Os motoristas da Uber e Lyft ganham um salário médio de apenas US $ 8 por hora, sem contar a dedução fiscal, bem abaixo do salário mínimo da Califórnia de US $ 11 por hora e pouco acima do salário mínimo nos Estados Unidos. US $ 7,25 por hora.

A Uber assegura que seus motoristas não são funcionários e, sob o chamado "novo paradigma trabalhista", concebe seus trabalhadores como "empreendedores" ou "autônomos". Dessa forma, a empresa esconde formas de insegurança no trabalho, garantindo maiores lucros para seus executivos. Mas precisamente como resultado dessas más condições de trabalho nesse tipo de empresa, seus funcionários começam a se organizar contra essa situação precária e a defender seus direitos.

A greve está sendo organizada por motoristas em vários grupos online, com o apoio de associações de classe como Gig Workers Rising, no norte da Califórnia, Rideshare Drivers United, em Los Angeles, e Chicago Rideshare Advocates. Motoristas em San Francisco, San Diego, Los Angeles, Chicago, Minneapolis, Filadélfia e Washington, D.C., deverão participar da paralisação de 12 horas no próximo mês. Várias cidades do Reino Unido, organizadas pelo Sindicato, mas também da Austrália, realizarão paralisações semelhantes.

Brasil

No Brasil, as percas se agravam no último período em que os preços da gasolina sobem vertiginosamente, chegando aos R$ 5 em algumas capitais. A greve deverá ser marcada também por manifestações em diversas partes do país, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia e Recife. A instrução é que motoristas da Uber desliguem o aplicativo entre a 0h de quarta (8) e a 0h de quinta (9).

Na capital paulista, houve um “apagão” desses aplicativos por algumas horas, elevando o preço das tarifas em regiões centrais da cidade. Motoristas buscavam se comunicar com aqueles que não haviam parado no dia para convencê-los a aderir ao movimento através do próprio app, chamando corridas e mandando mensagem aos colegas condutores.

Além da paralisação, cerca 130 motoristas e 30 carros realizaram um ato no Vale do Anhangabaú, segundo lideranças do movimento, que depois caminharam até o prédio da B3, da bolsa de valores de São Paulo, onde protestaram em consonância ao protesto internacional. Sob novas formas de precarização, os trabalhadores encontram novos métodos de auto-organização a nível mundial.




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