RACISMO

Mortes por violência policial explodem durante pandemia em SP

As mortes pela violência policial subiram 54% no Estado de São Paulo durante a pandemia. Os dados confirmam um cenário de brutal violência, em que os negros são as principais vítimas do gatilho da polícia.

segunda-feira 15 de junho| Edição do dia

Enquanto demagogicamente pedem para a população ficar em casa e reabrem as quarentenas, Dória, Witzel, Camilo Santana e outros governadores comandam as polícias que nos matam mesmo dentro de nossos lares. Bolsonaro com seu discurso racista é quem segura a arma, é quem dirige o carro, é quem aperta o botão do elevador e quem segura a faca que matam Amarildos, Mestres Móa e João Pedros em todo o país.

Na mídia, de Gregório Duduvier e seu programa na Fox até a jornais da classe dominante como Estadão, noticiam que a polícia brasileira é que mais mata e são os negros que mais morrem. Se o natural para muitas culturas é que os filhos enterrem seus pais, no capitalismo moderno e para os negros, está se constituindo uma contra-tendência, já que na pandemia assistimos à morte de um sem-número de jovens negros. Mortes violentas que chamam atenção por que são de responsabilidade, direta ou indireta, do Estado. Direta, pelo aparato repressivo policial. Indireta, quando tira direitos e deixa esses setores desamparados e mais expostos à morte.

O caso do jovem de Juan Ferreira, de 16 anos, morto pela policial civil com auxilia da PM de Dória e o de Jordy, de 15 anos, em Campinas, morto pela Guarda Municipal do prefeito Jonas Donizzete e Jardeson Rodrigo, de 21, morto pela polícia cearense, mostram contundentemente que é nas periferias que mais se mata.
Um dos clássicos do RAP brasileiro, a música “Nego Drama” diz que a vida dos negros nas capitais brasileiras como São Paulo, com classes trabalhadoras muito negras, “daria um filme”. Não poderíamos concordar mais. Acrescentamos que dariam tragédias inteiras, epopeias inteiras com heroísmo ímpar dos negros e negras, pais e filhos, irmãos e irmãs de trabalhadores e com um destino que parece estar sempre a escapar desses homens e mulheres reais, cuja dor dói em todo país, menos nos representantes desse estado genocida e da elite burguesa, o grupo dominante, do país, que, como Witzel, comemora os assassinatos da juventude negra pelas mãos da polícia.

“A tragédia da Cor Negra” como diz um poeta alagoano, expressando com muita argúcia que são os negros que mais morrem na pandemia, num processo de desumanização comparável apenas aos períodos de escravidão, que se sente com toda intensidade em países com passado escravocrata como Estados Unidos e Brasil, particularmente, mas se faz sentir no mundo todo, com liberdade restrita, igualdade restrita e uma profunda desigualdade política dos negros, mas também das mulheres, imigrantes, índios, que falam “diferente”, que comem “diferente”, que amam “diferente”, que tem cultura “diferente”, que professam sua religiosidade e sua alma de uma maneira “diferente”, diferente apenas em relação a classe burguesa que, como diz os revolucionários Karl Marx e Friedrich Engels em sua obra o “Manifesto do Partido Comunista” de 1848, quer construir um mundo a sua imagem e semelhança.

Não à toa, a fúria negra que toma os Estados Unidos (EUA) e o mundo a partir do assassinato de Geroge Floyd, inicou uma “guerra de estátuas” no mundo todo e também um questionamento profundo sobre qual é a função social da polícia na defesa do verniz democrática com o discurso da “segurança”, que é só para os ricos. Por isso recomendamos fortemente o vídeo da agrupação de Negros e Negras Quilombo Vermelho “É possível reformar a polícia?” em que partindo das discussões da esquerda norte-americana de acabar com o financiamento à polícia e/ou reforma-la, enquanto a democracia dos ricos de conjunto vem aumentando há anos mais e mais os recursos do aparato repressivo e tirando a vida da juventude negra.




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