Mortes por doenças e até suicídio foram estopim para indigenas Kanamari ocuparem DSEI em protesto contra desassistência.

Um levantamento realizado pela organização Kanamari, de 2004 até 2017, registrou que 30 indígenas morreram por doenças ou cometendo suicídio. Só em 2017, foram dez crianças mortas.

segunda-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Desde a manhã de sexta-feira (12), a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (AM), está ocupada pelos indígenas Kanamari.

Segundo nota divulgada pela Associação Kanamari do Vale do Javari (Akavaja), a ocupação foi motivada devido a indignação com as mortes ocorridas nas aldeias. Povos do Vale do Javari denunciam há pelo menos dez anos o descaso com a saúde indígena.

Na primeira semana de janeiro, duas crianças apresentavam sintomas de diarréia e vômito e por não receber atendimento a tempo morreram em menos de dois dias. Uma delas, de um ano e oito meses, da aldeia São Luís no médio rio Javari, levou três dias para ser removida para a sede do município, mas morreu durante o trageto.

Em 2017, dez crianças das aldeias São Luiz e Lago Tambaqui morreram em consequência de doenças que poderiam ser evitadas, como relata Ananimar Dias.

De acordo com levantamento feito pela organização Kanamari, de 2004 até 2017, 30 indígenas morreram por doenças ou cometendo suicídio.

Ananimar disse que a Akavaja já solicitou por várias vezes à Coordenação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) que enviasse profissionais para atender as comunidades com maior incidência de doenças, porém não obteve resposta.

O coordenador do Dsei/Vale do Javari, Jorge Oliveira Duarte , em nota divulgada nesta data pelo facebook, afirma que “a referida mobilização tem o caráter político”.

A população Kanamari é de aproximadamente 1.200 pessoas que habitam a região compreendida entre os rios Itacoaí e Médio Javari, na região do Vale do Javari. Na terra indígena Vale do Javari, com cerca de oito milhões de hectares, situada nos municípios de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Jutaí e São Paulo de Olivença, vivem ainda os Mayoruna (Matsés), Marubo, Kulina, Tsohom Djapa e Korubo. A estimativa é de que lá existe o maior número de grupos indígenas sem contato com a sociedade envolvente.

Fonte: Conselho Indigenista Missionário – CIMI




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