RACISMO E CORONAVÍRUS

Mortes de negros por COVID-19 cresce em detrimento dos brancos e não se sabe a cor de 1/3

Dados do Ministério da Saúde ignoram cor de 1/3 das mortes por COVID-19, que apesar disso mostram uma crescente proporção de mortes de negros em comparação com a de brancos. A subnotificação também releva o racismo estrutural do nosso país.

segunda-feira 18 de maio| Edição do dia

2896 pessoas das 9897 mortes contabilizadas por coronavírus não possuem distinção de raça ou classe nos dados do Ministério da Saúde. Levando em conta as internações, a desinformação é ainda maior, e atinge 10406 dos 27086 hospitalizados.

Apesar dessa desinformação, os mesmos números revelam que há um mês, quando a subnotificação também era maior (calculada em 36%), a proporção de mortes era de 40% entre brancos e 22% entre negros. Nos dados obtidos até 8 de maio o número de óbitos brancos passou a ser 34% (3339) e pretos e pardos 35% (3508), num universo de 3050 cuja cor não foi contabilizada.

A maior proporção de mortes em brancos se dava pelo fato de que eram vírus contraídos no exterior e em um momento onde o teste era ainda mais um artigo de luxo, realizado apenas em clínicas privadas.

Contudo vemos se confirmando o cenário temido até agora, de que o vírus chega às periferias, bairros pobres, cuja maioria são de negros. Em São Paulo, dados de meados de abril já revelavam a maior taxa de mortalidade nesses bairros e da população negra.

Isso é explicado pela diferença nas condições de subsistência, como alimentação, saneamento, acesso à saúde, como também pela impossibilidade de parar de trabalhar ou diretamente o desemprego. Os negros são os que mais são vítimas do dilema que os capitalistas e os governos impuseram aos trabalhadores: ou morrem de coronavírus ou morrem de fome.

É chocante como até mesmo na desinformação se expressa o racismo histórico contra os negros no nosso país. Uma subnotificação orientada pelo Ministério da Saúde de Bolsonaro e dos militares que sustem o seu governo. Querem apagar a verdade sobre a herança escravista que eles tantos defendem, marcada na superexploração do seu trabalho, dos assassinatos policiais nos morros, como vimos mais uma vez no RJ onde 12 foram mortos pela polícia de Witzel, que com a pandemia fica nua aos olhos de todos.

Marcada também pelo encarceramento em massa, que se tornou um grande foco de contaminação entre os negros, ainda mais subnotificada e deixados à própria sorte, cuja resposta está sendo um cruel projeto de encarceramento em conteiners!

Assim como fica explícito o papel que os trabalhadores possuem em mover o capitalismo, mostra que esse trabalho é negro, é mal pago e ainda mais sujeito às doenças sociais como o coronavírus. Bolsonaro, os militares, mas também os governadores, o Congresso e o STF, temem que essa realidade seja exposta, pois tem o potencial explosivo de despertar a revolta dos negros e dos trabalhadores apagadas da nossa história, um dos maiores perigos para a sobrevivência do capitalismo pandêmico em uma de suas mais profundas crises.




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