Mundo Operário

LEGADO DAS OLIMPÍADAS

Mortes, acidentes e salários atrasados: as Olimpíadas acabam, mas o trabalho precário nas instalações não

Os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos já acabaram, mas os desastres que o megaevento promoveu ainda seguem. Desde o início das primeiras obras voltadas para os jogos o trabalho precário esteve presente, se expressando em trabalho com diversas irregularidades, salários atrasados, acidentes e chegando a extremos de mortes de trabalhadores. Os trabalhadores mais afetados são sempre os terceirizados, o que faz com que o Comitê Rio 2016 sempre procure se eximir da responsabilidade.

quinta-feira 6 de outubro| Edição do dia

Essa semana, durante a desmontagem das instalações da Rio-2016, um operário morreu e outro teve a perna amputada, ambos em acidentes causados pelas péssimas condições de trabalho a qual os trabalhadores estão submetidos. O primeiro foi eletrocutado em um canteiro de apoio na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e o outro sofreu um acidente com um poste de luz na Arena de Volei de Praia, em Copacabana.

O diretor de comunicação do Comitê Rio-2016, Mario Andrada, declarou que os acidentes ocorreram por possíveis falhas nos canteiros e o Comitê não possui nenhuma responsabilidade, sendo responsáveis apenas as empresas contratadas para realizar a desmontagem. Porém, segundo uma fonte que não quis se identificar informou à Reuters, cerca de 100 fiscais de segurança do trabalho que seriam responsáveis por fiscalizar a desmontagem foram dispensados pelo Comitê Rio-2016.

Ainda nessa semana, cerca de 200 trabalhadores terceirizados da empresa Sunplus, uma das contratadas para prestar serviço de limpeza durante os jogos, realizaram uma manifestação na sede do Comitê Rio-2016 para exigir os salários atrasados, alegando não terem recebido o referente ao mês de setembro. Segundo a empresa, foram cerca de 2500 trabalhadores contratados para esse serviço e os salários não foram pagos pois o dinheiro não foi repassado pelo Comitê Rio-2016 à Sunplus.

Sobre o atraso no pagamentos dos salários, Mario Andrada declarou o absurdo de que isso "é normal. É impossível planejar a burocracia de pagamento de 20 mil fornecedores". E enquanto os atrasos seguem "dentro da normalidade", trabalhadores e suas famílias seguem há 2 meses sem receber seus salários, estão com as contas atrasadas e dificuldades para manter suas famílias.

As Olimpíadas acabam, mas seu legado de precarização, exploração e mortes ainda segue. Como já foi dito aqui, as Olimpíadas, desde o início das obras, tem sido uma grande máquina de lucro aos empresários, patrocinadores, Comitê Olímpico. Mas aos trabalhadores o que é oferecido é trabalho em condições próximas à escravidão, riscos de acidentes e mortes.




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