RACISMO

Morte de negros por COVID-19 aumenta em 8,4% enquanto de brancos cai em 12%

Entre condições de subsistência precárias e a impossibilidade de parar de trabalhar, os negros caminham para um aumento exponencial e assustador no número de mortes por conta do COVID-19, na contramão do que se observa com a população branca.

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

Em reflexo das condições precárias de vida da população mais pobre, em sua maioria negra, os últimos números divulgados pelo Ministério da Saúde, em 26/04, revelam a problemática que a população negra vivencia, potencializado pelo COVID-19.

As relações de diminuição de mortes entre brancos e de aumento entre os negros é quase inversamente proporcional (12,2 pontos percentuais de diminuição entre brancos - de 64,5% para 52,3%-, e 8,4 de aumento entre negros - no somatório de pardos e pretos, saltou de 32,8% para 41,2%), fazendo observável a letalidade da doença entre os negros e que a população mais fragilizada está mais exposta e corre mais risco de vida, desfazendo a visão “democrática” da doença. Ela não atinge igualmente ricos e pobres, ou brancos e negros.

A disparidade entre brancos e negros nos números de mortos e infectados evidencia o esmagamento da população negra pelo capitalismo e racismo estrutural no país, face que fica mais evidenciada e aprofundada com os impactos da crise de saúde da pandemia do Coronavírus. Enquanto a população branca, ainda maioria, apresenta um declínio nas estatísticas de hospitalizações e mortes, a população negra ascende nas estatísticas com mais casos da doença e, principalmente, de mortes, chegando a um número assustador de 45,2% das mortes, quase metade, mesmo sendo, ainda, a população minoritária em número de contagiados, 37,4%.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), 67% que dependem exclusivamente do SUS são negros, população essa que mais é ameaçada com a constante situação de colapso iminente do sistema. Além disso, é a população mais exposta por ser também a maioria dos trabalhadores que foram impossibilitados de se proteger em quarentena porque não puderam parar de trabalhar, seja por descaso das empresas, seja por situação de trabalho informal onde, se parar, o trabalhador não terá o que comer.

Diante disso, a resposta do governo é de descaso com os impactos da pandemia e de afrouxamento do isolamento por parte do novo ministro da saúde, Nelson Teich, visando antes de mais nada, os lucros do empresariado que busca, às custas das vidas dos trabalhadores, o retorno do funcionamento do comércio, juntamente com alguns governadores de estado que já começam uma reabertura.

O trabalhador, então, é relegado a voltar a trabalhar com toda a precariedade de reduções salariais e trabalhistas garantidas via MP por Bolsonaro e sem garantias de condições de se proteger por muitas empresas que não fornecem material de proteção contra doença, como é o caso das reclamações de muitos trabalhadores de postos de trabalho baixos e de trabalhadores informais de aplicativos, trabalhadores em sua maioria, negros, cuja vida, aos olhos do governo mancomunado com o empresariado, é menos importante do que os lucros dos capitalistas.




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