Gênero e sexualidade

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Mortalidade materna aumenta em SP

Morte materna é aquela decorrente do parto, gestação ou que acontece até 42 dias depois do parto e tem relação com a gravidez. A hemorragia, hipertensão gestacional, infecções e abortos provocados são as principais causas das mortes. O maior índice de mortes que o estado de São Paulo já registrou foi em 2017, chegando a 60,6 mortes por 100 mil nascidos vivos, conforme reportagem da Folha de São Paulo.

quarta-feira 3 de julho| Edição do dia

Esse aumento na mortalidade poderia ser facilmente evitado já que 92% dos casos, se tratados da maneira correta, poderiam ser evitados. Além da violência obstétrica a falta de investimento na saúde que se aprofundou com a Pec dos gastos (Pec 55) do governo golpista de Temer, que congelou por 20 anos o investimento em gastos público mostra seus resultados diariamente. Outro fator que agrava essas absurdas mortes é a criminalização do aborto, que segue acontecendo de forma clandestina e matando diversas mulheres em sua maioria pobres, e no Brasil, 3 a cada 4 que morrem são negras. Portanto, é urgente que as mulheres tenham o direito ao próprio corpo e que o aborto seja legal, seguro e gratuito e garantido pelo SUS.

Agora, com o governo Bolsonaro e de Dória a nível estadual, a situação da saúde pública piora. O ministro da saúde chega a falar do fim da gratuidade do SUS e as privatizações dos anos de governo do PSDB no estado seguem a todo vapor. Dória em 2018 quando era prefeito de São Paulo gastou 46,2% da verba pública da saúde com instituições privadas.
Segundo a médica Fátima Marinho professora no Instituto de Estudos Avançados da USP e que até 2018 foi coordenadora do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) a mortalidade materna, em São Paulo, teve aumento de 50% desde o ano 2000. Nessa situação apavorante em que os índices do Brasil chegam a quase o dobro da meta estimulada pela ONU de 35 mortes a cada 100 mil nascidos vivos, é cruel que os governos sigam pagando fielmente a dívida pública e cortando cada vez mais as verbas da saúde.

Esse aprofundamento da precarização dos serviços públicos fundamentais como saúde e educação, combinado com a crescente privatização são parte de um projeto maior do governo Bolsonaro, a extrema-direita e toda a classe dominante. Querem lucrar em cima dos nossos direitos. Transformar em mercadorias esses direitos que são básicos e fundamentais para assim descarregar a crise capitalista, que se arrasta por 11 anos, em cima das costas das mulheres, dos trabalhadores e do povo pobre.

A extrema-direita com seu discurso hipócrita de defesa da vida e da família, em nome de manter a estabilidade do mercado, segue sendo conivente com o aumento de mortes de várias mães. Contra isso devemos defender que nossa saúde não deve ser mercantilizada e estar à mercê dos mercados porque nossas vidas valem mais que o lucro deles.




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