Sociedade

MORRE FRANCISCO DE OLIVEIRA

Morre o sociólogo Francisco de Oliveira, aos 86 anos

quarta-feira 10 de julho| Edição do dia

Francisco de Oliveira, 86, nos deixa nessa quarta-feira.

Entre suas diversas obras sobre o Brasil, uma das mais célebres é o ensaio de 1972 "A economia brasileira: crítica à razão dualista" e também "O Ornitorrinco". Recebeu pela edição desses ensaios o Prêmio Jabuti em 20004.

Chico de Oliveira foi professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, tendo recebido desta o título de professor emérito em 2008. Também recebeu o título de doutor honoris causa pela UFRJ em 2006 e em 2010 pela UFPB.

Nascido em 1933 no Recife, Oliveira foi um dos fundadores do PT, do qual saiu em 2003, filiando-se posteriormente ao PSOL. Foi um crítico ferrenho das políticas privatistas de Lula. Chegou a afirmar que Lula nunca foi de esquerda. Contudo, frente à sua prisão, Oliveira denunciou a arbitrariedade e a falta de provas, sendo sempre contrário à prisão arbitrária do líder petista, mas criticando a postura do PT de não levar adiante o combate contra as acusações: "O problema maior é que ele está na defensiva, está aceitando as supostas acusações, e isso é ruim porque reforça a crítica da direita.", disse, numa entrevista em 2016.

Na USP, se colocou diversas vezes ao lado dos trabalhadores e estudantes em suas lutas em defesa da educação pública. Em 2009, junto ao DCE e ao Sindicato dos Trabalhadores da USP, protagonizou uma "anti-candidatura" de protesto à Reitoria da universidade, levantando propostas de radicalização da democracia na universidade, como o fim do vestibular e o fim do elitista Conselho Universitário que dirige a universidade. Também foi um grande apoiador da luta contra a demissão política de Claudionor Brandão feita pela reitoria e o governo de José Serra.

Marcello Pablito, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP e trabalhador do bandejão, relembrou a atuação de Oliveira e lamentou sua morte:

"Chico sempre foi um grande aliado nas lutas em defesa da universidade, e, mesmo aposentado e já afastado das atividades docentes, nunca deixou de estar nas lutas, vir à universidade e comparecer nos momentos fundamentais em que lutamos. Em 2009 sua postura de defender um programa de democratização radical da universidade, se recusando a compactuar com as vias institucionais que iam cavando os ataques que hoje vemos privatizando e precarizando a USP, é uma amostra fundamental de sua coerência e honestidade intelectua, em meio a muitos debates que sempre mantivemos de forma fraternal. Foi também um defensor contra os ataques a nosso sindicato, seja combatendo a demissão ilegal de um diretor de nosso sindicato, o Brandão, ou, em 2016, nos apoiando contra a tentativa da reitoria de tirar nosso sindicato do campus. Foi testemunha em defesa da companheira Diana Assunção que sofreu um processo administrativo por parte da Reitoria em clara perseguição política. Também esteve entre os valorosos professores que souberam manter sua independência frente aos governos do PT, denunciando sua política de conciliação de classes, e depois denunciando o golpe da direita para colocar Lula na cadeia e Temer no governo. Sua morte é uma perda imensa para todos nós que lutamos em defesa da educação pública, e também contra os ataques do governo Bolsonaro. Hoje, dizemos: Chico de Oliveira, presente!"

Algumas de suas principais obras são:

Hegemonia às avessas: economia, política e cultura na era da servidão financeira. São Paulo: Boitempo, 2010. Francisco de Oliveira, Ruy Braga e Cibele Rizek (orgs.).
O ornitorrinco (Boitempo),
A economia brasileira: crítica à razão dualista (Cebrap)
Elegia para uma re(li)gião (Paz e Terra),
O elo perdido: classe e identidade de classe em Salvador (Brasiliense),
Os direitos do antivalor (Vozes),
Os cavaleiros do antiapocalipse, em colaboração com Álvaro Comin (Entrelinhas/Cebrap),
Os sentidos da democracia, em colaboração com Maria Célia Paoli (Vozes).

O seu velório ocorrerá no salão nobre do prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.




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