Política

Moro revoga prisão de Guido Mantega e acresce escorregões na Lava Jato

quinta-feira 22 de setembro| Edição do dia

O juiz federal Sergio Moro revogou, no início da tarde desta quinta, a prisão do ex-ministro Guido Mantega, que havia sido detido temporariamente na 34ª fase da Operação Lava Jato.

A decisão saiu às 12h20. O motivo foi a situação de saúde da mulher de Mantega, que passava por uma cirurgia no hospital Albert Einstein quando a operação ocorreu.

O ex-ministro é acusado de solicitar ao empresário Eike Batista o repasse de R$ 5 milhões ao PT para pagar dívidas de campanha, em novembro de 2012 (os investigadores ainda não sabem a que campanhas o ex-ministro se referia). Já o próprio Eike, que confessou a entrega da quantia, não foi detido, sequer notificado.

A equipe da PF pretendia prender Mantega em sua residência, no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Sem encontrá-lo em casa, a Polícia Federal decidiu, então, ir até o hospital para encontrar Mantega. Em nota, a PF negou que tenha havido ação no hospital e que a "coincidência com a internação da mulher do ex-ministro foi infeliz".

"Nas proximidades do hospital, policiais federais fizeram contato telefônico com o investigado, que se apresentou espontaneamente na portaria do edifício", informou a corporação, em nota. "De forma discreta e em viatura não ostensiva, o investigado acompanhou a equipe até o apartamento e, já tendo feito contato com seu advogado, foi então iniciado o procedimento de busca", completa o comunicado.

Segundo o advogado de Mantega, José Roberto Batochi, a mulher do ex-ministro estava pré-anestesiada e semiconsciente quando a operação chegou ao local. Também afirmou não ter a intenção de explorar na defesa um eventual prejuízo da prisão ao procedimento médico.

Por mais que queira fazer passar como algo "natural" da investigação, Moro não consegue esconder que a equipe da Lava Jato vem batendo cabeça nas últimas semanas ao buscar enquadrar Lula na Lei da Ficha Limpa, tornando-o inelegível. A peça montada por Dallagnol, e inesquecivelmente explanada no PowerPoint "sem provas, mas com convicção", já havia enfurecido magistrados golpistas do Supremo Tribunal Federal (por facilitar a oportunidade de Lula defender-se, coisa que o petista fez no dia seguinte). A inovação agora é a "prisão preventiva de 30 minutos", um escorregão dos procuradores do MPF que prende o suposto receptor do dinheiro ilícito, mas não o doador do dinheiro (Eike Batista), para não afugentar empresários que Temer está implorando em Nova York para que comprem o país.

A brutalidade da acusação e os métodos da PF e do MPF poderiam ser usados como "contraste" da atuação "caridosa" do pró-imperialista Sérgio Moro, recente milionário com a lucrativa indústria de delações premiadas montada pelos procuradores de Curitiba. Mas o íntegro juiz paranaense não se animou a separar-se da atuação da PF, estando totalmente por dentro dela, "Considerando os fatos de que as buscas nos endereços dos investigados já se iniciaram e que o ex-ministro acompanhava o cônjuge no hospital e, se liberado, deve assim continuar, reputo no momento esvaziados os riscos de interferência da colheita das provas nesse momento", escreveu Moro na decisão.

A continuidade das arbitrariedades da reacionária Operação Lava Jato - que mira a corrupção petista apenas para substituí-la por um esquema de corrupção com a cara da direita - parece correr contra o relógio para 2018. O que já conseguiu instalar no país é o profundo autoritarismo judiciário que servirá para atacar os direitos dos trabalhadores, como já está fazendo ao dar sinal verde à reforma trabalhista de Temer, mas também as greves e organizações dos trabalhadores, que estão sofrendo imensa censura nas eleições municipais, para que a direita tenha voz cantante e não surja nenhuma alternativa política dos trabalhadores à esquerda do PT.




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