Política

LAVA-JATO

Moro pede à PF que retire o nome de Dias Toffoli de inquérito da Lava Jato

Sérgio Moro deu prazo de três dias para a Polícia Federal refazer um relatório no qual afirmava que a família Bumlai “detinha uma influência política muito grande durante o período em que o Partido dos Trabalhadores (PT) estava no poder” e que “a influência não era somente em agentes políticos da Administração Pública, mas também na Suprema Corte, na pessoa do Ministro Toffoli”.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

terça-feira 15 de novembro| Edição do dia

O relatório, assinado por um agente da PF, foi incluído num dos inquéritos que investiga Bumlai. Ele foi feito com base em um material apreendido com Maurício de Barros Bumlai, condenado na Operação Lava Jato, e referia–se ao arquivo do número de telefone de diversas autoridades públicas. Porém Sergio Moro considerou que a conclusão do relatório “não tem base empírica e é temerária”, pois de acordo com o juiz de Curitiba o fato de uma pessoa investigada ter em sua agenda número de telefones de autoridades não significa que ele possa ter influência sobre elas Moro disse que o documento contém "afirmação leviana" e que os relatórios devem resumir a fatos constatados. O juiz recomendou ainda “devidas cautelas para evitar a repetição do ato”.

A intimação foi feita por telefone. O delegado Filipe Pace, responsável pela investigação de Bulmai, encaminhou despacho a Sergio Moro, dizendo que será feito um novo relatório para que seja retirado o trecho “manifestamente inserido por ocasião de erro material”. Pace afirma que “é faticamente e probatoriamente impossível” atribuir influência Bumlai sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli.

Mais uma vez, a Operação Lava Jato mostra o seu caráter arbitrário e extremamente anti-democrático. Enquanto existe muita convicção para punir alguns, os membros do Supremo Tribunal Federal a turma do Sergio Moro faz questão de colocar no patamar de intocáveis. Com esta ação, o juiz da "república de Curitiba" demonstra claramente que vai deixar o STF de fora das investigações.

Está claro que a tendência da Lava Jato é anistiar todos aqueles que estão por trás da investigação, como membros do poder judiciário. Na reunião organizada pelo procurador do ministério Público, Daltan Dallagnol para discutir as leis contra a corrupção, o deputado Joaquim Passarinho disse que “aaqui não vai sair nenhuma medida contra o Ministério Público, contra a Polícia Federal, contra quem está combatendo a corrupção”.

O STF, o Ministério Público e a Polícia Federal são instituições que fazem parte do atual regime. Este mesmo regime podre e corrupto que está a serviço dos grandes empresários e banqueiros. Qualquer investigação para desvendar escândalos de corrupção, teria que investigar os políticos e empresários, mas também membros do Supremo Tribunal Federal, Policia Federal e o Ministério Público.

Somente através da luta independente dos trabalhadores e demais setores populares da sociedade que iremos combater efetivamente os casos de corrupção. Para isso é preciso um questionamento profundo do regime, algo que a Operação Lava Jato demonstrou que não tem nenhum interesse em fazer.




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