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Moro deve deixar governo Bolsonaro depois de se calar durante um ano sobre o caso Queiroz

sexta-feira 24 de abril| Edição do dia

Hoje, às 11h, Sérgio Moro fará pronunciamento que pode definir para onde vai o dilema de ontem, quinta (23), sobre sua ameaça de demissão depois de Bolsonaro querer ter mais controle sobre a Polícia Federal e anunciar a troca do diretor-geral.

Num cenário em que Bolsonaro não dá sinais de recuo, ele coloca em xeque relação com uma das principais figuras de seu governo, seu ministro da Justiça, que o auxiliou durante todo o governo mediando as investigações da PF contra Fabrício Queiroz e utilizando o capital político da Operação Lava Jato à favor de Bolsonaro.

Sérgio Moro, o cabeça da operação lava-jato que garantiu o golpe institucional de 2016 e foi uma ala da justiça golpista e manipuladora de eleições que colocou Bolsonaro no poder em 2018 para aprofundar os ataques aos trabalhadores e à juventude, também é quem, no Fórum Econômico Mundial em 2019, acobertou as relações do presidente com o laranja Fabrício Queiroz. Ele dizia: "Não me cabe comentar sobre isso". A possibilidade de anúncio de sua demissão do Ministério da Justiça que se desenha pode ser para se livrar de não afundar junto com o presidente que ele mesmo ajudou a construir, o que pode significar retrocesso nos resultados da golpista operação Lava Jato, sendo estes, o golpe institucional de 2016 e a manipulação das eleições que levaram Bolsonaro ao poder.

Hoje se mostrará o resultado do cenário aberto ontem, em que os militares tendiam a manter Moro para evitar instabilidade no regime, como declarou Braga Netto dizendo que a assessoria de Moro "desmentiu a saída" dele do governo, mas que apontava também a que se fortalece mais agora, inclusive pelo tom da imprensa burguesa, que quer enfraquecer o governo Bolsonaro nos mesmos moldes da saída de Mandetta. Mandetta, em plena crise sanitária que está ceifando vidas, saiu aplaudido por essa mídia, aparecendo como setor mais "moderado" do regime por dizer (mas não cumprir) as orientações da OMS, sendo que também é um dos maiores privatistas da saúde desse país. Ao mesmo tempo, os militares estariam ainda mais representados com a saída de Moro e a entrada do chefe dos espiões da Abin, Alexandre Ramagem.

De fato, diante do esfacelamento desse regime político, a única alternativa para os trabalhadores e para a juventude deve ser independente de todos. Contra o governo construído por Bolsonaro e Moro, que abriu as cortinas do palco para Mourão e os militares, e sem nenhuma confiança em Maia, Congresso e STF, que também foram base do golpe e da manipulação das eleições de 2018.

Leia também: Qual o papel da esquerda diante da crise sanitária e política no Brasil?




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