Política

LAVA-JATO SELETIVA

Moro condena Cunha a 15 anos de prisão e blinda Temer na sentença

quinta-feira 30 de março de 2017| Edição do dia

O Juiz curitibano ídolo das minguadas manifestações de domingo condenou Eduardo Cunha a 15 anos de prisão. Na sentença alegou que mesmo perdendo o mandato, Cunha poderia seguir lavando dinheiro se livre, ordenando ainda que Cunha permaneça preso nesta fase de recursos. A defesa de Cunha deverá recorrer ao Tribunal Regional Federal da quarta região.

O peemedebista foi condenado em ação penal sobre propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobras, em 2011. Os valores da propina a Cunha teriam saído da compra, pela Petrobras, de 50% dos direitos de exploração de um campo de petróleo em Benin, na África, no valor de US$ 34,5 milhões. O negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, cota do PMDB no esquema de corrupção.

Cunha responde ainda mais cinco inquéritos: no projeto Porto Maravilha por abuso de poder, favorecimento de instituição financeira para favorecer emendas parlamentares assim como para aprovação da liberação do FI-FGTS, corrupção em contratos de Furnas e desvios de fundos administrados pela Caixa.

Na sentença, o juiz curitibano não deixou de blindar seu parceiro de golpe, o presidente Michel Temer. Tendo indeferido uma série de perguntas feitas pela defesa de Cunha ao presidente golpista, disse na sentença que as perguntas tinham “motivo óbvio” de constranger Temer.

Veja as perguntas enumeradas por Moro que constrangeram o presidente:

“Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?; O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB? Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?”

Cunha foi útil aos golpistas e por isso foi segurado na presidência da Câmara até que fosse possível tirar Dilma para colocar Temer e acelerar os ataques como da reforma da previdência, reforma trabalhista, terceirização e entrega do patrimônio nacional que Dilma, apesar de tanto tentar, estava conseguindo fazer com uma lentidão e dificuldades. Agora com Cunha se trata de queima de arquivo.

O MPF havia pedido que Cunha fosse obrigado a arcar com o total do prejuízo à Petrobrás, mas segundo as palavras de Moro, seria “mais apropriado fixar um valor conservador”. A sentença de Moro obriga Cunha a devolver o total recebido em propina, que oficialmente são 1,5 milhão de dólares. A devolução, no entanto, depende de trâmites legais na Suíça, e como sabemos, deverá ainda virar um valor ainda mais conservador já que os juízes de plantão e procuradores da Lava-Jato, além de receberem seus altos salários acima do teto constitucional, também devem pegar sua fatia do bolo da grande máquina de delações.

Segundo jornal golpista O Globo, o Juiz Moro teria declarado, contra a defesa de Cunha, que aqueles que contestam as colaborações premiadas são favoráveis ao silêncio das organizações criminosas. Podemos perguntar o mesmo ao Juiz que indeferiu (calou, obrigou a cessar) as perguntas para o golpista Temer, que recentemente também foi agraciado pelo STF que só liberará as delações daqui um mês.

Não serão juízes e outros políticos privilegiados, da mesma laia de Cunha, com interesses próprios e salários milionários que poderão dar respostas aos casos de corrupção e todo prejuízo causado pelos roubos. É necessário que os políticos corruptos sejam julgados por juris populares e tenham os bens confiscados e a fortuna revertida para políticas de interesse da população, dos trabalhadores e da juventude.




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