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censura à escola

Moralistas ameaçam professora responsável por debate de gênero em escola do Rio de Janeiro

A mãe de um estudante do Colégio Pinheiro Guimarães, no Rio de Janeiro, vinculou as redes sociais um áudio sobre um trabalho escolar do filho cujo tema era identidade de gênero. O relato da mãe viralizou entre conservadores e gerou uma onda de ameaças à professora responsável e aos alunos, que tiveram que suspender o debate.

segunda-feira 27 de novembro| Edição do dia

No relato, divulgado pelo El País, a mãe diz: “Que absurdo o colégio do meu filho impondo ele apresentar a feira cultural de camisa rosa e batom na boca [...] para ganhar dois pontos em cada matéria. Eu não aceito, eu não aceito, eu não aceito! [...] Não vou deixar meu filho participar de uma nojeira dessas. Homem é homem. Mulher é mulher. Macho é macho. Fêmea é fêmea”. O vídeo foi compartilhado pelo deputado Eduardo Bolsonaro dizendo “menino que usar batom ganhará nota em colégio particular do Rio” e viralizou.

Ao contrário do que diz o relato da mãe, a proposta da feira de cultura do Colégio Pinheiro Guimarães era de cada turma escolher um tema para apresentar, e os alunos do 9º ano optaram por identidade de gênero, de modo que em nenhum momento eles foram constrangidos a usar batom, assim como naturalmente não seriam impedidos.

Através do vídeo compartilhado nas redes sociais, o celular da professora responsável pela turma foi divulgado e a mesma passou a receber diversas ameaças. “Houve muita gente nas redes alertando que viriam aqui. Havia pessoas marcando no Facebook vir aqui para destruir nosso trabalho” comenta João Pedro, de 14 anos, durante a feira escolar.

Os alunos do colégio se posicionaram contra os ataques aos professores e ao tema. “Tem muito brasileiro que está preso ao passado e acha que ser transexual é uma doença” diz Mariana, de 17 anos, uma das integrantes do grupo.

“A gente ia explicar o que significa se olhar no espelho e não se reconhecer. Queríamos falar de respeito e empatia. Muitas pessoas acham que seus filhos podem ser influenciados, que podem virar gays por falar sobre isso, mas não tem nada a ver. Era uma proposta importante porque dava visibilidade a essas pessoas que são tratadas como se não existissem, como se não fossem pessoas, e elas sofrem demais” explica Bruna, também de 17. A diretora do colégio também foi alvo de ameaças pessoais e violentas. O formato da apresentação dos alunos seria a exposição verbal de pesquisas e os meninos vestiriam uma camisa cor de rosa e as meninas uma camisa azul.

O ocorrido com os alunos e professores do Colégio Pinheiro Guimarães é mais um reflexo do que o projeto “Escola sem Partido” reserva aos mesmos, que é proibir o livre debate dentro das salas de aula, principalmente à temas como gênero e sexualidade. Com uma cartilha de como denunciar seus professores, o movimento Escola sem Partido incentiva e promove diretamente esse tipo de atitude.

É preciso que os estudantes secundaristas junto aos professores, se organizem contra o Escola Sem Partido, em defesa do direito a uma educação livre, que transforme qualitativamente toda a comunidade escolar, colocando nas mãos dos alunos, professores e funcionários da escola a organização política e pedagógica do colégio.




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