Sociedade

INTERVENÇÃO FEDERAL NO RJ

Moradores denunciam militares: tortura, agressão, invasão e depredação de domicílios

Moradores do Complexo da Penha, do Alemão e Maré denunciam todo tipo de abuso de militares em operações da Intervenção Federal.

quinta-feira 23 de agosto| Edição do dia

Imagem: IG

A Intervenção Federal no Rio de Janeiro segue sua rotina de matança e violações de direitos. Diversos moradores das comunidades do Complexo da Penha, do Alemão e Maré relataram abusos de distintos tipos vindo dos militares após um dia de terror em operações que duraram 12 horas na terça feira, dia 21 de agosto. Mais de 4200 militares das forças armadas estavam envolvidos, 70 policias civis e policias militares. O Jornal Extra disse que foram 11 mortos, sendo 2 militares. Relatos de moradores, entretanto, falam em mais de 14.

Segundo a Defensoria Pública, "os relatos de violações de direitos são muitos. Há casos de invasão de residências por agentes das forças de segurança, disparo de tiros em projetos sociais e de devassa em celulares de suspeitos. O cão de um morador da Maré teria sido lançado de uma altura de três andares. Também há denúncias de agressão e tortura". A Página Maré Vive postou um vídeo de denuncia sobre o abuso policial, Veja aqui:

Ao Extra, Rodrigo Pacheco, subdefensor-geral do Estado, que esteve na Maré declarou: “Todos sabemos que a segurança vive um momento crítico no estado. Mas isso não pode servir de salvo conduto para que, em nome de um suposto restabelecimento da ordem, cidadãos sejam agredidos em suas casas, a caminho do trabalho, da escola ou enquanto brincam na rua. Não pode ser justificativa para abuso de autoridade”. Defensores públicos se reuniram ontem, quarta feira, dia 22, com moradores do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio para apurar os abusos.

Em recente pesquisa realizada pelo DataFolha, foi divulgado que a aprovação da intervenção militar é menor entre as mulheres, negros e entre a jovens de 16 a 24 anos. Não à toa, são os setores mais afetados pelo militarismo nas favelas. São as mulheres que sentem na pele a dor de verem seus filhos assassinados, e os jovens negros veem o racismo da polícia e a possibilidade viva de serem mortos por sua cor de pele. A rejeição à Intervenção Militar cresceu 10%.

Todos os dias os moradores das favelas se veem em uma encruzilhada tanto pelo crime organizado quanto pelas forças policiais de um estado genocida, em meio a operações sanguinárias que nunca chegarão ao raiz do problema, que está no plano social. Não será com "inteligência" para as policias que se resolverá o problema da segurança pública, como afirma Tarcísio Motta, candidato do PSOL, e sim com melhorias na saúde, educação e a legalização de todas as drogas. Medidas desse tipo, entretanto, só são possíveis, em especial em um momento de crise como esse, com medidas que ataquem os capitalistas e os mais ricos, que surfam em cima da miséria profunda do Rio de Janeiro.

Já fazem mais de 150 dias da morte de Marielle Franco e nenhuma resposta ao caso. Exigimos que o estado investigue e puna os culpados e que garanta também os recursos para uma investigação independente, com parlamentares e figuras reconhecidas do PSOL, e de movimentos sociais, e pleno acesso a tudo que se investiga. Não depositamos nenhuma confiança que esse estado assassino possa conduzir seriamente o caso, como até agora não o fez.

É preciso exigir o fim da intervenção federal e defender a expropriação das empresas e ativos dos corruptos, com impostos progressivos sob as grandes fortunas, que todo o juiz e político seja eleito e tenha seu cargo revogável com o salário de uma professora, e uma Petrobras 100% estatal sob controle operário. Esse conjunto de medidas são para garantir que não sejamos nós que paguemos pela crise, e sim a casta de empresários para quem o estado serve como garantia do lucro, que vem com o suor e o sangue da classe trabalhadora.




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