Política

BRUMADINHO

Moradores de Brumadinho vão às ruas contra cortes de auxílio emergencial da Vale

A 10 meses do crime de Brumadinho causado pela Vale, que ocorreu em janeiro desse ano e causou mais de 250 mortes, moradores da região realizam protestos contra o corte do auxílio emergencial pago pela empresa.

segunda-feira 2 de dezembro| Edição do dia

Nessa segunda-feira (2) estão sendo realizados protestos em Brumadinho, cidade na qual ocorreu o crime ambiental no começo desse ano causado pela Vale, contra o corte do auxílio emergencial que a empresa paga aos moradores da região. Todos os moradores que moram num raio de um quilômetro do local de rompimento da barragem receberam, ao decorrer desse ano, um auxílio por parte da empresa.
Entretanto, foi decidido na semana passada, por meio de um acordo entre a Vale, o Ministério Público e a Defensoria Pública, de forma completamente arbitrária e sem a participação da população atingida, que o auxílio se estenderia por mais 10 meses, mas que, em contrapartida, a partir de fevereiro de 2020 parte dos moradores passariam a receber apenas 50% do valor total. Em entrevista ao G1, o militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), José Geraldo Martins, mostra seu desacordo com a decisão tomada e afirma que “Esses critérios penalizam pessoas que efetivamente dependiam do rio para sobrevivência, que estavam vivendo com um salário mínimo e agora vão ter só metade dele. Isso diminuiu enormemente os custos da empresa mineradora no processo de manutenção do auxílio emergencial”.

Entre as reivindicações dos moradores em protesto está a continuidade do recebimento de 100% do auxílio emergencial para todos os moradores; a disponibilidade de psicólogos e psiquiatras nas comunidades; a total transparência por parte da prefeitura em relação ao dinheiro investido em Brumadinho e às doações recebidas na época do desastre; e a participação das comunidades atingidas nas reuniões de negociação com a Vale.

Esse grave crime ambiental demonstra que os interesses capitalistas e imperialistas sobre os recursos naturais têm por consequência os cortes sucessivos, a falta de segurança, e a gerência visando somente o lucro, em detrimento da população e do meio ambiente.

É necessário defender que os moradores da região continuem recebendo o auxílio completo por tempo indeterminado, ou até que a região seja reparada completamente. Além disso, levantar a bandeira de re-estatização da Vale é urgente, sob um modelo de gestão operária e controle popular, pois somente se livrando da ganância desmedida dos capitalistas que controlam o setor estratégico da mineração, e entregando este à classe trabalhadora é que futuras tragédias poderão ser evitadas, e as que já ocorreram, atendidas e reparadas.




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