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TOQUE DE RECOLHER RN

Moradores de Brasília Teimosa foram reprimidos na primeira noite do toque de recolher em Natal

Vídeo divulgado nas redes sociais mostra a cena de violência policial contra moradores do bairro, com a justificativa do cumprimento do toque de recolher que começou neste sábado, 27. Empurrões e gritos contra a população, essa é a forma que a prefeitura de Álvaro Dias e o governo estadual de Fátima Bezerra dizem que vão conter o vírus, mantendo os comércios e salvando os lucros dos empresários.

segunda-feira 1º de março| Edição do dia

Assista ao vídeo que retrata as cenas de policiamento e de repressão em Brasília Teimosa, próximo às Rocas:

Na noite de sexta-feira, 26, a governadora Fátima Bezerra (PT) decretou o toque de recolher das 22h às 5h, diante da situação de calamidade do sistema de saúde, com os hospitais mais lotados do que em qualquer outro momento da pandemia.

A medida mantém o funcionamento dos comércios, indústrias, agradando os capitalistas representados pela Fecomércio e FIERN. Exige que os ônibus intermunicipais só aceitem passageiros sentados, mas não fala sobre aumentar a frota de ônibus, que estão reduzidos desde o início da pandemia mesmo com a população voltando a trabalhar. As máfias donas de Natal ganharam com a pandemia demitindo milhares de cobradores em Natal, com aval de Álvaro Dias, que se recusa a retomar a frota integral.

Busca conter aglomerações de pessoas, utilizando de aumento de policiamento, fechamento de bares, das orlas. Como vemos com esse caso, a medida busca conter o vírus com polícia contra a população, atingindo os trabalhadores. Na Bahia, do governo Rui Costa, que está há alguns dias com toque de recolher das 19h-5h, um ambulante foi preso no metrô quando estava voltando para casa. Aos gritos de “não me machuque”, terminou a noite na delegacia, servindo de medida de “limpeza” policial desse tipo de comércio.

O ministro da Justiça, André Mendonça, visitou o Rio Grande do Norte no dia 12 de fevereiro, garantindo R$ 26 milhões para compra de equipamentos e armamentos de repressão para a polícia.

Enquanto isso, os aumentos de leitos ainda são completamente insuficientes, assim como foram até agora as medidas de testagem da população, aumento na contratação na saúde e de vacinas. Cidades como João Câmara ficaram sem bobina de oxigênio na semana passada, enquanto o governo aumenta gastos com repressão. Parte dos leitos abertos ano passado foram fechados no estado, não restando mais que um hospital de Campanha. Apesar de toda a campanha do Fica em Casa, Álvaro Dias e Fátima Bezerra não disponibilizaram salas de hotéis e prédios ociosos para isolar os contágios.

A maioria dos estados do país passa por essa situação e todos estão tomando medidas como toque de recolher ou lockdowns como resposta. Bolsonaro recentemente esteve no Ceará onde criticou o toque de recolher decretado pelo governo de Camilo Santana (PT), dizendo que o povo quer trabalhar e que, frente ao aumento de casos, é só seguir como se nada estivesse acontecendo.
Bolsonaro que lave a boca para falar do que é melhor para os trabalhadores, cujo negacionismo já matou mais de 250 mil pessoas no Brasil, a única coisa que está preocupado é se vai aprovar o congelamento de salário de servidores - inclusive os da saúde, depois de quase um ano aguentando as consequências do seu negacionismo – como contrapartida ao auxílio emergencial ainda mais insuficiente. Contudo, medidas repressivas como essa apenas fortalecem o aparato policial e militar desse regime golpista e cada vez mais autoritário, forças que são parte do por que existe Bolsonaro.

Repudiamos a repressão em Brasília Teimosa, enquanto seguimos defendendo a luta por Justiça à Gabriel, jovem negro de 18 anos assassinado pela PMRN durante a pandemia. Exigimos que todos os recursos com policiamento sejam revertidos em garantia de bobinas, testes, vacinas e contratações e outros insumos básicos de contenção do vírus.

Controle estatal de todas as empresas farmacêuticas e laboratórios, para colocá-los sob o controle dos profissionais de saúde e servir a um plano racional de produção e distribuição de vacinas e testes, com vistas à nacionalização dessas empresas sob controle operário, junto com todos os recursos da saúde privada!

Veja também: Novo colapso sanitário no RN: o lucro acima da vida para Álvaro Dias e Fátima Bezerra




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