Sociedade

REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Moradores da Ocupação Fábio Alves acampam na prefeitura de BH contra despejo de Kalil

“Nossa casa será a prefeitura até que o Kalil negocie” dizem, acampados em frente à prefeitura de Belo Horizonte, moradores da Ocupação Fábio Alves, que abriga mais de 700 famílias no Barreiro.

terça-feira 25 de agosto| Edição do dia

Foto: Movimento Luta Popular

As mais de 700 famílias da Ocupação Fábio Alves, localizada no Barreiro, estão com seu despejo decretado, podendo acontecer a qualquer momento. Por isso estão acampadas em frente à prefeitura de Belo Horizonte, exigindo que o prefeito Alexandre Kalil os receba. Além do enorme ataque às famílias dessa Ocupação, em outras também existem problemas contra os quais tem havido manifestações. As Ocupações Marião, Vicentão, Willian Rosa, Eliana Silva e outras fizeram manifestações em BH na pandemia como uma marcha pelo #DespejoZero, pelo pagamento do “auxílio aluguel” pelo governador Romeu Zema, e por acesso a saneamento básico.

Kalil, nacionalmente conhecido por um suposto combate à pandemia, decide deixar famílias sem moradia enquanto diz “fique em casa”. Com índices cada vez mais alarmantes de contaminados e mortos por Covid-19 em Belo Horizonte, o prefeito mantém a ordem de reintegração e se nega a negociar com as famílias. A qualquer momento os moradores da Fábio Alves podem ser despejados, e certamente a Polícia Militar de Zema não estará de quarentena para levar à frente uma repressão desumana, como aconteceu no Quilombo Campo Grande, sul de Minas Gerais, com direito a helicóptero e caveirão.

Em plena pandemia, as reintegrações de posse não param. São constantes as notícias que chegam de diversas partes do país. Isso mostra que nem o negacionista Bolsonaro, apoiado pelos militares, nem seus oposicionistas no congresso, no judiciário e nos governos estaduais e prefeituras estão preocupados com a saúde e a subsistência da população. O Estado segue funcionando, como sempre, como um instrumento da classe dominante a seu serviço. É ilustrativo do degradado sistema capitalista que existam imóveis vazios que só servem para a especulação imobiliária, ao mesmo tempo que a crise empurra mais e mais pessoas para viver nas ruas.

Todas as reintegrações de posse devem ser imediatamente suspensas. É preciso impor pela luta dos movimentos de moradia em unidade com os trabalhadores e a juventude, organizando-se nos seus sindicatos e entidades estudantis, uma reforma urbana radical para garantir emprego e moradia, atacando a propriedade privada dos grandes capitalistas. Rompendo a subordinação do Brasil ao imperialismo por meio do não pagamento da dívida pública é possível que os trabalhadores possam financiar planos de obras públicas quando e onde for necessário, para possibilitar que todos possam morar com segurança, o que em Belo Horizonte não é o caso de milhares de famílias, que todos os anos perdem suas casas nas enchentes e desabamentos.




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