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Montadoras retomam produção de veículos enquanto faltam respiradores nos hospitais

As grandes montadoras de automóveis no país como Fiat Chrysler, GM, Volkswagen, Mercedes, Ford, dentre outras, começam a retomar os ritmos da produção em diversas regiões do país. O retorno dessas atividades se dá no momento em que o número de casos é crescente ainda no país, que começa a ultrapassar a marca de mortes e contaminações de países como Itália, Espanha e China.

segunda-feira 18 de maio| Edição do dia

Com a chegada da pandemia do coronavírus, essas grandes multinacionais paralisaram as suas máquinas. Não por preocupação com a vida dos seus trabalhadores, mas para salvar seus lucros.

Prova disso é que o fizeram descontando todo o prejuízo sobre suas costas. Autorizados pela MP 936 de Bolsonaro, conhecida por MP da Morte, que cria condições para a suspensão de contrato por até 2 meses ou redução de jornada com perda salarial por 3 meses, as montadoras atingiram 74% da sua força de trabalho com essas medidas.

Para citar algumas, a montadora Jeep, da Fiat Chrysler, reduziu, em média, 20% da jornada de trabalho e entre 10% e 20% dos salários por 3 meses desde o último dia 21 em todas as suas fábricas, localizadas em Betim (MG), Campo Largo (PR) e Goiana (PE). A GM atingiu ao menos 12,5 mil trabalhadores com a MP 936 em São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS).

No meio da pandemia, deixaram famílias sem sustento, e agora retomam as atividades em meio à ascensão das contaminações, que chegam a 241 mil confirmados e 16mil mortes, adotando todo um protocolo sanitário para dizer que se importam com suas vidas. Além disso, essas indústrias alegam possuir um estoque suficiente para suprir 4 meses de comercialização no ritmo do varejo atual, portanto seguem lucrando paralisados, ainda que possa ser menos. Isso falando do seu lucro só no Brasil.

Então porque seguir apenas lotando seus estoques, as concessionárias, locadoras, enquanto essas indústrias teriam plenas condições de converter sua linha de montagem para produzir respiradores que estão em falta nos hospitais do nosso país. Enquanto os governos gastam milhões comprando esses respiradores a preços absurdos, essas industrias teriam condições de abastecer os hospitais de todo o país, talvez até mesmo de países da América Latina.

Em Manaus, cujo estado foi o primeiro a ver seu sistema de saúde colapsar, a Honda possui a sua maior fábrica no país, e todos os seus trabalhadores tiveram seu contrato suspendidos até o dia de hoje, 18 de maio. Contudo, o retorno da produção não vem para garantir os respiradores que os manauaras estão realmente precisando.

Os trabalhadores dessas unidades são quem podem assumir o controle da sua produção para garantir esses respiradores. São eles, e apenas eles quem tem de fato interesse em dar uma resposta à crise sanitária. A acabar com o aumento das covas, demissões, perdas de salário que os governos, em primeiro lugar Bolsonaro e seu time de militares, mas também todos os governadores, o Congresso, o STF, dão como única resposta à pandemia. Pois basta do lucro acima da vida!

Sob seu controle, os ritmos, necessidades, as condições de cuidados (quem fica em casa e quem não, como proteger os grupos de risco e garantir o salário integral de todos), com os quais os próprios trabalhadores se importam muito mais do que a patronal, podem ser decididos da maneira mais democrática, justa e cautelosa, a serviço de uma necessidade social urgente e organizada.

O exemplo a ser seguido são de seus companheiros mexicanos, que mesmo em meio a pandemia organizaram uma fortes protestos em fábricas Tijuana, Mexicali, Reynosa, Ciudad de Juarez e de Matamoros exigindo a paralisação da produção de automóveis e o aumento de salários. Devem exigir dos seus sindicatos que organizem essa batalha, contra a direção patronal da Força Sindical, que vem ajudando os patrões a suspenderem contratos ou cortar os salários, mas também da CUT, que apenas saiu de quarentena para fazer um ato junto com nossos algozes no primeiro de maio.




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