Política

MARIELLE FRANCO

Monica, viúva de Marielle, pede acesso à investigação: "Quem mandou matar Marielle e por quê?"

quarta-feira 30 de outubro| Edição do dia

Enquanto agentes do Estado e a grande imprensa tem acesso privilegiado à investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, e não utilizam este acesso para investigar os mandantes do crime, familiares, amigos, organizações de direitos humanos, membros do partido da vereadora tem acesso negado às informações. O Esquerda Diário defende que o estado deveria dar condições para formação de uma comissão independente de investigação, aonde parlamentares, organismo de direitos humanos, peritos comprometidos, sindicatos e movimentos de favela, possam investigar o assassinato de Marielle e Anderson.

Monica Benicio, em nota, denunciou em nota o fato de que a própria família não tem direito às informações.

Leia anota abaixo:

Uma dor que já dura quase 600 dias. As notícias relacionadas à execução de uma vereadora democraticamente eleita, em exercício de seu mandato, sejam elas quais forem, são gravíssimas. Porque a situação é gravíssima!

Grave, porque fere o direito à vida. Grave, porque fere a democracia. Grave, porque há mais de um ano e sete meses não tenho a resposta para o que aconteceu.

A verdade é que a resposta para quem mandou matar Marielle e quais foram as motivações desse crime não trará nem ela, nem Anderson de volta.

Mas é preciso falar da dor para além da política, e é desse lugar que vem minha voz ou que ecoa meu silêncio.

É preciso dizer que, nos últimos dias, mais uma vez, fui surpreendida por informações muito importantes, de forma dolorosa, por meio da imprensa. Informações cujo acesso me é negado sob a justificativa de que as investigações correm sob segredo de Justiça.

Desde o início do caso, tenho dedicado minha vida a acompanhar o processo de perto e a cobrar justiça. Solicitei, desde o início, acesso aos processos e inquéritos que apuram os autores, mandantes e a motivação do crime que levou ao assassinato da minha esposa.

A mais recente recusa se deu no pedido de informações sobre os autos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça.

Defendo que o processo ocorra de maneira segura, comprometido com a verdade dos fatos, mas que seja de forma transparente, com respeito ao direto de acesso da família. De um lado sofro com a falta de informação, de outro com a imprensa me perguntando sobre algo que não pude acessar.

Além de muito doloroso, é inaceitável e inconstitucional que à família seja negado o direito de acompanhar integralmente a apuração deste caso, ao mesmo tempo que a sociedade brasileira e o mundo exigem uma resposta. A recusa de dar o direito a um acompanhamento completo do caso só me gera mais sofrimento.

Nesse momento, só me cabe dizer que espero que todas as instituições brasileiras responsáveis pela realização da justiça investiguem com profundidade e isenção, o envolvimento de toda e qualquer pessoa que possa ter algum tipo de relação com esse crime hediondo.

Os responsáveis devem ser identificados e devidamente responsabilizados pelo que fizeram para que nunca mais algo parecido possa voltar a ocorrer nesse país. Em nome de todo o amor que sinto por Marielle e respeito que tenho à democracia do meu país, a única coisa que espero das autoridades brasileiras é justiça. E essa satisfação o Brasil hoje deve ao mundo que quer saber: Quem mandou matar Marielle e por quê?

Monica Benicio

O Esquerda Diário se solidariza com Monica Benicio. Defendemos que é preciso nos mobilizar para exigir que o estado investigue e puna os culpados. Ao mesmo tempo, e há 600 dias já do assassinato, fica claro claro que não podemos deixar na mão somente do estado, pois há centenas de indícios de cumplicidade dos agentes do estado com o crime. - incluindo agora a citação do nome de Bolsonaro, que tem inúmeros indícios apontam seus laços com ex policiais milicianos.

É preciso exigir do estado as condições para o funcionamento de uma comissão independente de investigação, aonde atuem organismos de direitos humanos, os familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes, os parlamentares do PSOL, os membros das ordens de advogados, peritos especialistas comprometidos com a causa, sindicatos, movimentos de favela etc, para que sejam parte da investigação.

Precisamos exigir do estado que garanta todas as condições materiais, financeiras, e físicas para a realização plena e ampla da investigação independente, com acesso a todos os autos do processo para acompanhar e poder seguir todos os passos que a polícia dá, e também dar passos próprios que efetivamente deem solução para o caso e que se ache os culpados.




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