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Mobilizar já: contra o arrocho salarial e os ataques da Reitoria e dos governos

Panfleto do Movimento Nossa Classe, grupo de mulheres Pão e Rosas e Quilombo Vermelho para os trabalhadores da USP.

terça-feira 24 de abril| Edição do dia

Foto: Luciano Souza

Muda o reitor, mas os ataques permanecem essencialmente os mesmos: Arrocho salarial, desmonte da universidade, precarização do trabalho e avanço da terceirização na USP. Para resistir a esses ataques e impor uma derrota à reitoria, os trabalhadores sabem o caminho. É preciso resgatar as lições de luta da nossa categoria, fortalecer nossa organização e mobilizar as bases. Os trabalhadores em movimento podem vencer!

Os parâmetros de sustentabilidade na USP e a Reforma Trabalhista: tudo a ver!
A consolidação do golpe institucional que possibilitou o golpista Temer se manter no poder e avançar sobre os direitos dos trabalhadores, aprovando a PEC do “Fim do mundo” (Emenda constitucional 95 que congela os gatos públicos, afetando principalmente a saúde e educação) e a reforma trabalhista, significou um duro golpe sobre a classe trabalhadora. O assassinato da vereadora do Psol, Marielle Franco, mulher negra e militante da esquerda é expressão da continuidade do golpe que quer calar a voz da juventude e da classe trabalhadora. A condenação e posterior prisão arbitrária de Lula avançou também sobre direitos democráticos elementares como o direito do povo decidir em quem votar fortalecendo o autoritarismo do judiciário que vai se voltar contra a nossa classe e os mais pobres. Vale lembrar que foi o STF que em 2016 atacou o direito de greve dos servidores, obrigando o corte de ponto dos grevistas e, assim, preparando o terreno para os governos atacar a luta dos trabalhadores. Porém, as professoras municipais de São Paulo mostraram o caminho. Além de derrotar Dória e o Sampaprev, fizeram uma forte greve de 19 dias impondo o pagamento de todos os dias parados!
Em 2017, com um palco de guerra armado e sob, literalmente, sangue dos trabalhadores, o Conselho Universitário aprovou uma série de medidas, os Parâmetros de Sustentabilidade da USP que prevê arrocho salarial, enxugamento do quadro funcional. Tais parâmetros nada mais são do que a USP se adequando aos planos dos governos de Temer e Alckmin (agora substituído por Márcio França do PSB) para atacar os trabalhadores e descontar sobre as nossas costas a crise financeira.

Arrocho NÃO!

Desde 2015 já acumulamos mais de 12,5% de arrocho salarial. Nossos VAs e VRs estão há 5 anos congelados. Enquanto nós, trabalhadores, sentimos nas nossas condições de vida o arrocho, o ex-reitor (e agora secretário da Saúde) Marco Antônio Zago, só no ano passado, gastou mais de 60 mil reais em diárias! Enquanto mantém seus privilégios como “auxílio-moradia”, altos salários e para favorecer empresários de fundações e empresas terceirizadas os burocratas da USP se valem de tudo.

A luta contra o arrocho salarial precisa ser uma luta em defesa da universidade pública. E para isso é preciso também lutar por mais verbas e que elas sejam controladas por estudantes e trabalhadores!

Contra o desmonte da universidade! Por mais verbas já!

Os ataques da reitoria aos trabalhadores fazem parte de um projeto de universidade. A “USP do futuro” (nome do plano de privatização da universidade proposto pela gestão Zago-Vahan) nas mãos da burocracia universitária significa avançar na precarização do trabalho e na entrada de mais empresas privadas, tanto no HU, seja para desvincular ou permitir que alguma OS (organização Social) ou fundação assuma seu controle, como nos bandejões com mais terceirização.
A iniciativa privada só tem um interesse: aumentar seus lucros! A pesquisa nas mãos dela está a serviço de vender mais produtos; a terceirização visa encher o bolso dos empresários donos das terceirizadas; a saúde é alvo para os lucros de convênios médicos. Ou seja, a população, que paga com seus impostos a universidade, é quem sequer pode ter seus filhos estudando na maior universidade do país e cada vez menos pode usufruir do atendimento no HU ou das pesquisas voltadas para o público.

A luta contra o arrocho salarial precisa ser uma luta em defesa da universidade pública. E para isso é preciso também lutar por mais verbas e que elas sejam controladas por estudantes e trabalhadores!

Acordo coletivo: a mobilização deve começar agora pelas nossas demandas!

No dia 27 de março a assembleia de trabalhadores votou a prorrogação do atual acordo coletivo até setembro deste ano. Uma tarefa se faz urgente e necessária: Construir uma forte mobilização para arrancar nossas demandas e derrotar o banco de horas.

Em março do ano passado, pela primeira vez discutimos e assinamos um acordo coletivo de trabalho na USP. Durante as negociações a reitoria lançou mão de uma chantagem para que se aprovasse, no acordo, um banco de horas para flexibilizar as jornadas de trabalho. Além disso, diversas demandas de trabalhadoras e trabalhadores surgiram e mostraram é que preciso ir por muito mais.
Além de garantir as nossas demandas, nossa mobilização deve ser para barrar todos os ataques da reitoria também no acordo coletivo que, após a reforma trabalhista, se prepara para nos atacar ainda mais.

Lutar em defesa dos trabalhadores terceirizados: para que tenham o direito de comer!
Iguais direitos e iguais salários! Efetivação, já!

A terceirização na USP já atravessa décadas. Começou principalmente pelos setores da limpeza e vigilância são terceirizados e avançou para o setores como coperagem, manutenção do campus e além de diversos bandejões terem sido totalmente terceirizados.

Desde o dia 26 de março, na sala de louça do bandejão central, trabalham 7 pessoas, sendo 4 mulheres, para dar conta de higienizar milhares de bandejas, talheres e cubas que servem milhares de estudantes todos os dias. Antes da terceirização 12 trabalhadores efetivos – todos homens –exerciam a função, revezando diariamente com outras funções. E ainda assim, cerca de 60% dos trabalhadores efetivos possuem alguma restrição médica, fruto da sobrecarga de trabalho. Além da absurda sobrecarga de trabalho, esses 7 trabalhadores sequer podem comer a comida que ajudam a produzir.

Por isso, é preciso também lutar contra a precarização de todos os trabalhadores, por iguais direitos e iguais salários, para que todos sejam efetivados e se ponha fim a terceirização da USP

Para poder terceirizar um setor inteiro, ou mesmo um restaurante inteiro, foi necessário uma política calculada de precarização do trabalho exercido pelos funcionários efetivos. Foi assim nos setores de limpeza, de vigilância, manutenção e agora nos bandejões, hospitais, creches e isso deve se multiplicar por todas as unidades. Para garantir a entrada de empresas que lucram com a exploração do trabalho primeiro é necessário criar condições extremamente precárias e fechar postos de trabalho.

Por isso a defesa dos terceirizados, para que desde já possam ter condições dignas de trabalho, o direito de comer a comida que ajudam a produzir (que a SAS proíbe que comam), parte de uma luta maior. Em todas as unidades onde há terceirização há sobrecarga de trabalho, assédios constantes, atrasos de pagamentos. Isso é parte do que significa a terceirização. Por isso, é preciso também lutar contra a precarização de todos os trabalhadores, por iguais direitos e iguais salários, para que todos sejam efetivados e se ponha fim a terceirização da USP

Para barrar o arrocho salarial, o desmonte da universidade, a privatização, a precarização do trabalho (com a implementação da reforma trabalhista e os parâmetros de sustentabilidade) e a terceirização é necessária a mais ampla unidade entre trabalhadores (funcionários efetivos, terceirizados e docentes) e estudantes.

Nossa luta também deve ser para derrotar os ataques dos governos. Em março desse ano, as professoras municipais de São Paulo mostraram o caminho. Derrotaram Dória e a força da greve de 19 dias garantiu também que não houvesse corte de ponto!

Nós do movimento Nossa Classe, do grupo de mulheres Pão e Rosas e do Quilombo Vermelho colocamos nossas forças nessa luta!




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