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Tribuna aberta | Mobilizações trabalhistas nos Tigres Asiáticos

Publicamos essa breve análise sobre as mobilizações recentes no leste asiático em nossa tribuna aberta.

terça-feira 26 de outubro | Edição do dia

Em consequência do desenvolvimento econômico e predatório dos Tigres Asiáticos, vem-se cada vez mais promovendo industrialização em países como Tailândia, Indonésia, Malásia, Vietnã e também as Filipinas, que acabou resultando no estabelecimento de indústrias tradicionais de confecção de produtos como brinquedos, calçados, têxteis e eletrônicos. Essas indústrias são o parâmetro e a referencia das transformações técnicas do modo de produção, justamente por sua rápida variação de processos em resposta ao mercado consumidor, logo em seguida de mão de obra barata bem menos qualificada que passaram a fazer parte de redes de negócios de empresas estadunidenses e japonesas.

Com a política expansionista de desvalorização da moeda nacional a economia desses países é direcionada principalmente para o mercado externo, à vista disso, a precarização das condições de trabalho e demissões em massa que abargou uma das maiores greves da história da crise no sudeste asiático, em Janeiro de 1997, na Coreia do Sul em oposição a política decrépita do presidente Kim Young Sam durante o período da “redemocratização” que manteve a medida de proibição dos sindicatos defendida pela ditadura militar, período governado pelo seu antecessor Park Chung-hee, como também forneceu aos empresários o poder de alterar jornadas de trabalho, e redução de salários. Recentemente a representação histórica dessas greves e protestos mobilizaram 500 mil trabalhadores na rua em retratação da série distópica sobre o capitalismo na Netflix chamada ‘Round 6’ que bombou atualmente, sendo uma das séries mais vistas pelo streaming, precedida de uma reação crítica ao derradeiro desenvolvimento industrial voltado para exportações.

O aumento das especulações não só afetou a economia dos Tigres Asiáticos como também afetou o Brasil, UE e Rússia. Ficou conhecida como a primeira crise financeira em um período globalizado. Em 1997, na Tailândia, o número de desempregados chegou a 1,5 milhões e na Coreia do Sul 10 mil eram demitidos por dia, a Peregrine investments (maior banco da Ásia) pediu liquidação financeira.
Pelo visto os economistas liberais não aprendem a desconfiar de “milagres econômicos”, ou simplesmente preferem propagar uma crença ideológica e pseudocientífica em busca de “superações honrosas” com frases mercadológicas publicitárias de que “não existe almoço grátis” para confinar a “ solução” do desemprego em demissões, economia voltada para exportações e ampliação da miséria.

Em outubro de 2020, o enfurecimento dos trabalhadores com o endividamento do setor privado e reformas que inclui fim do salário mínimo e de seguro desemprego surge na Indonésia demonstrando combatividade contra a repressão policial, em frente ao palácio presidencial, em Jacarta. Se mobilizaram 32 organizações sindicais e organizações estudantis que se uniram contra os ataques aos trabalhadores juntando milhares nas ruas. Os trabalhadores vem enfrentando inúmeras falsas promessas que projetam a ilusão da recessão e demissões irá gerar emprego, e mesmo assim o país vem desde a crise financeira de 1997.

Em Hong Kong, segundo várias organizações em defesa dos trabalhadores dobraram a quantidade de protestos e greves. Os protestos trabalhistas em Hong Kong e nas indústrias chinesas são constantemente comuns, muitos trabalhadores migrantes sofrem por baixos salários e precarização do trabalho, e os sindicatos são praticamente uma fração do Partido Comunista Chinês. Em 2010, os funcionários de uma frábica da Honda com sede na China entraram em greve exigindo melhores condições, chegando ao ponto de alcançá-las o governo da província de Cantão, onde se concentram empresas de Hong Kong, se manifestou contra o aumento de salário desses trabalhadores, para que essas demandas não pudessem se extender para uma futura revolta dos trabalhadores em outras empresas estrangeiras. O principal motivo das greves é pelo número de demissões e fechamento de fábricas, e esse número atingiu recorde em 2015 com mais de 2 mil greves e mobilizações trabalhistas, em várias ocasiões, os operários combateram as demissões mantendo executivos das empresas presos, além de que existe censura dos dados de fechamento das fábricas.

Tomando como ponto chave, a censura da grande mídia burguesa de aplicar seu conceito de “desenvolvimento econômico” por trás do que foram anos de chumbo, imperialismo e exploração... se de fato os Tigres são de papel em comparação a resposta que a classe trabalhadora deu nos últimos anos, fica a reflexão a respeito da imensa capacidade da nossa classe e dos setores oprimidos, e principalmente a primeira a sofrer os efeitos do imperialismo globalizado e que reage ativamente.




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