Política

Mobilização dos petroleiros começa, mas precisa se opor aos empresários do transporte

A mobilização dos petroleiros finalmente começa no dia de hoje com as primeiras paralisações que servirão de “esquenta” para a greve marcada para a partir de quarta-feira, dia 30/05, que deve durar 72h. As principais revindicações dos petroleiros são a redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha; a manutenção de empregos e retomada da produção interna de combustíveis; o fim da importação de derivados de petróleo e contra a privatização da empresa, em especial de quatro usinas que serão entregues a inciativa privada.

segunda-feira 28 de maio| Edição do dia

Ainda antes das manifestações de caminhoneiros se espalharem pelo país, a categoria de petroleiros já havia votado pela greve, sendo uma das principais reivindicações a redução do preço dos combustíveis assim como do gás. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), dirigida pela CUT, desacelerou o início das mobilizações e do movimento de greve, postergando a entrada em cena da categoria de petroleiros. Desta forma abriu espaço para que o movimento pró-patronal dos caminhoneiros tomassem a frente, reivindicando subsídio do diesel para favorecer o lucro das empresas transportadoras em detrimento dos impostos destinados a saúde, educação e auxílio aos desempregados, ou a redução do gás e da gasolina.

Atrelados a grandes empresas transportadoras e do agronegócio, a paralisação de caminhoneiros vem ganhando caráter cada vez mais reacionário, reivindicando intervenção militar e fortalecendo o Bolsonaro nas eleições.

Frente ao impacto social que vem causando a paralisação dos caminhoneiros, e seu forte conteúdo patronal, a greve dos petroleiros poderia se opor a este conteúdo e a ideologia de direita que vem carregando, levantando um programa operário para os preços dos combustíveis, construindo uma forte mobilização nacional junto a um plano de lutas que pudesse localizar os petroleiros como uma alternativa para disputar o descontamento contra Temer e a opinião popular pela esquerda.

Entretanto a CUT e o PT, preocupados em se localizarem para as eleições, vem alimentando a ilusão no movimento de caminhoneiros, chamando apoio e “dialogo” com aqueles que agora pedem intervenção militar. Além disto uma greve de 72h, com os reservatórios das refinarias cheios devido a paralisação dos caminhões, está longe de ser um plano efetivo para colocar a categoria como protagonista da situação.

A CUT e o PT há meses vem construindo o imobilismo entre os trabalhadores, instaurando uma verdadeira trégua com a patronal e o governo, para se mostrarem como uma alternativa viável para dirigir o capitalismo e o estado brasileiro nas eleições, mantendo-se fiéis ao imperialismo e a coleira da dívida pública. Esta política traidora, frente a todo o descontentamento popular para com o governo, permitiu mais uma vez que setores de direita entrassem em cena canalizando o descontentamento popular.

A única forma dos trabalhadores conquistarem a redução no preço dos combustíveis e do gás de cozinha, sem que se reverta em cortes para a população e financiamento do lucro da patronal transportadora e do agronegócio, ao mesmo tempo eliminando a corja de burocratas parasitas e corruptos da Petrobrás, é exigindo, através de um plano de lutas sério e a altura, uma Petrobrás 100% estatal, gerida pelos petroleiros e controlada pela população, se opondo frontalmente ao movimento pró-patronal dos caminhoneiros.




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