Sociedade

GOVERNO TERRAPLANISTA

Ministros de Bolsonaro destilam estupidez sobre meio ambiente para defender latifundiários

Ricardo Salles e Ernesto Araújo demonstraram que não sabem nada sobre o meio ambiente nesta última semana, ao tentar justificar destruição da natureza pela concentração da posse da terra nas mãos de poucos latifundiários.

segunda-feira 3 de junho| Edição do dia

Foto: Adriano Machado / Reuters

Que os Ministros de Bolsonaro são completamente inaptos para os cargos que foram designados, isso não há dúvida – a questão é que por trás de toda essa estupidez há interesses capitalistas. Ernesto Araújo, Ministro das Relações Exteriores, demonstrou como sempre que gosta de falar sobre o que não sabe, durante audiência pública no Senado. Nesta audiência o Ministro revelou que desconhece o básico até mesmo para medir uma temperatura, confundindo termostato (ferramenta de controle de temperatura) com termômetro (ferramenta de medição de temperatura), afirmando que o aquecimento global seria supostamente uma invenção de cientistas manipulados pela esquerda, e por fim, culpando o “asfalto quente” pelo aquecimento do planeta, entre outras besteiras.

“Não existe uma mudança de clima global, existem várias mudanças de climas locais” – diz o Chanceler – “não há um termostato que meça a temperatura global, digamos, há vários termostatos locais que medem temperaturas locais(...) e nos Estados Unidos foi feito um estudo sobre as estações meteorológicas, e diz que muitas estações que ficavam no meio do Mato hoje ficam no asfalto.” – disse o Ministro, dentre uma série de outras barbaridades anti-científicas.

Ernesto Araújo e sua ignorância e inaptidão anti-científicas obviamente desconhece o fato de que desde a década de 1960 a temperatura da terra também começa a ser medida através de satélites que identificam a radiação emitida pelo oxigênio que está na atmosfera do planeta. Ou ainda, que há cientistas que sustentam que deve-se medir a temperatura dos oceanos para chegar num dado mais preciso do aquecimento global. Desconhece, obviamente, porque isto se trata de um debate feito por cientistas preocupados com o tema, e não por Ministros do governo Bolsonaro, que bate recorde em liberação de agrotóxicos e atua pela concentração da terra do grande latifúndio, o mesmo que é campeão em invasões de terras indígenas e em denúncias de trabalho escravo.

Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente, por sua vez, seguiu na mesma linha de Ernesto Araújo, mostrando-se um “cético” do aquecimento global, não reconhecendo a parcela da contribuição humana para o aquecimento do planeta. Salles tem grandes interesses em fazer passar todo este circo anti-científico, afinal de contas, é o latifúndio e os grandes proprietários, a concentração de terras, um dos maiores contribuidores para o aquecimento global. Como? A produção bovina. A fonte desta informação? O próprio governo: em 2013 o inventário nacional de gases estufa, publicado pelo governo relatou que a produção do gado é responsável por 15,4% da emissão destes gases, enquanto que a queima de combustíveis fósseis representava 15,1%. (Leia aqui-> https://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/pum-de-vaca-polui-mais-do-que-carros-03092015 ] )

Este mesmo Ricardo Salles nada faz contra mineradoras como a Vale do Rio Doce e a Samarco, que tem os sucessivos governos em seu bolso em troca de ter o poder de destruir a natureza e junto com ela, comunidades inteiras como Brumadinho e Mariana, saíndo impunes. Ao contrário, Salles afirmou que é uma questão do setor de “seguros”, ou seja, que a vida das pessoas e de cidades inteiras estejam à disposição de empresas que visam lucrar com tragédias cometidas com a conivência do estado Brasileiro.

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Liberando 191 agrotóxicos desde que começou seu governo, aumentando o desmatamento na amazônia, flexibilizando a fiscalização de alimentos, abrindo espaço para os transgênicos da Monsanto e a carne podre na mesa dos trabalhadores, o governo Bolsonaro representa os interesses dos latifundiários, donos da grande propriedade rural obtida com a expulsão dos povos indígenas e das comunidades rurais, usada para deixar o gado e explorar a mão de obra precarizada no campo. É disso que se trata todo o este circo montado pelos “céticos” da destruição do planeta.

Estes mesmos ruralistas, herdeiros dos antigos senhores de escravos, sempre estiveram no poder no Brasil. Tiveram assento garantido durante os governos do PT e foram convidados por Ciro Gomes, que teve a motossera de Katia Abreu como vice. Mais do que nunca, é urgente que os cientistas, as universidades, as populações rurais e indígenas, se unam com os trabalhadores contra estes ataques que visam descarregar a sede de lucro dos capitalistas na precarização de nossas vidas, na destruição do planeta, e junto com ele, das condições de vida, de trabalho com a reforma trabalhista, e de poder se aposentar, com a nefasta reforma da previdência.

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