Política

MEDIDAS TEMER GOLPISTA

Ministro de Temer acena com mais ataques aos trabalhadores e mais privatização

Apesar da vontade expressa pelo ministro de que as medidas se dessem antes mesmo do processo de impeachment, os tempos do governo Temer tem sido sufocados pelo descontentamento popular frentes aos ataques que vem tentando implementar. Enquanto não podem implementar diretamente nas reformas trabalhista e da previdência, pretendem avançar numa nova rodada de privatizações e desnacionalizações.

Mauro Sala

Campinas

segunda-feira 6 de junho de 2016| Edição do dia

Eliseu Padilha deixou bem claro que, apesar de assumir o governo ainda de forma interina, Michel Temer quer deixar marcas permanentes nos direitos dos trabalhadores, além de querer deixar um legado que abre o país ainda mais para o capital imperialista, com concessão do mercado aéreo-viário e do pré-sal.

Na entrevista concedida nessa segunda-feira, o chefe da Casa Civil disse que Michel Temer, junto às medidas de médio e longo prazo, solicitou aos seus ministros, especialmente os da área econômica, “medidas de impacto o mais breve possível, quiçá no período de interinidade”.

Mas não se pense que serão apenas medidas conjunturais para enfrentar problemas pontuais para “gerar empregos e ativar a economia, com algum tipo de mecanismo estimulante que não importe em subsídios”, ou seja, que não onere o governo.

As medidas debatidas pelo atual governo são muito mais profundas e permanentes, e atacam direitos e conquistas históricas da classe trabalhadora, como a previdência e a CLT. Segundo Padilha, é possível que a reforma da previdência e a trabalhista sejam encaminhadas ao Congresso antes mesmo das eleições municipais, podendo mesmo serem votadas ainda esse ano. Porém o que temos visto é o governo buscando flexibilizar cortes com medo do descontentamento popular.

Dentre as diretrizes para essas reformas está a criação para uma idade mínima, e crescente, para a aposentadoria e o fim da aposentadoria especial para as mulheres. Segundo o chefe da Casa Civil, “o exemplo mundial que temos dos sistemas bem-sucedidos inclui idade mínima e crescente. É o que o Brasil terá de fazer”, além de que “alguns atores observaram que as mulheres vivem mais do que os homens, que elas estão recebendo mais aposentadoria que os homens”, assim, defende o interventor de Michel Temer, as regras “terão, no mínimo, que serem iguais no futuro”.

Quanto à reforma trabalhista, Padilha deixa bem claro a intenção de flexibilizar os direitos dos trabalhadores ao propor “o acordado sobre o legislado”, o que significa que a pressão dos patrões sobre os trabalhadores (mais ainda em momentos de crise e crescimento do desemprego) valerá mais que a legislação e os direitos instituídos.

Além dessas reformas, Eliseu Padilha acena com a mudança nas regras para a aviação civil, permitindo que empresas estrangeiras possam controlar companhias aéreas no país, além de declarar apoio a mudança nas regras do pré-sal, dizendo que pretende “ampliar o processo de exploração dos nossos recursos naturais pelo setor privado”.

Além disso, num claro movimento de maior submissão ao capital imperialista, Padilha acena com a mudança também na lei fundiária para permitir que empresas estrangeiras possam comprar terras no país.

Essa entrevista demonstra claramente as intenções do governo em implementar as medidas contra os trabalhadores e de submissão maior ao imperialismo. Não é a toa que esse golpe foi patrocinado pelas grandes patronais nacionais com total apoio do imperialismo, que logo se juntou para dizer que não teve golpe nenhum.




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