Política

GABINETE GOLPISTA

Ministro da justiça declara que governo ladrão de merenda é exemplo para o país

Numa entrevista concedida para a Folha de São Paulo, cujo título é ‘’Nenhum direito é absoluto, e país, precisa funcionar, diz ministro da Justiça’’, o ministro da Justiça do governo golpista de Michel Temer afirma que o governo de São Paulo é honesto e que os casos de corrupção como o Merendão e o Trensalão são pontuais.

segunda-feira 16 de maio de 2016| Edição do dia

De acordo com suas próprias palavras: ‘’Eu fui membro do MP de São Paulo. Ele não é ligado ao PSDB, é independente, não faz vista grossa e é um exemplo para outros MPs do país. Investiga vários casos. A única diferença em relação ao governo federal é que o governo de SP é honesto. E um governo honesto é menos investigado porque não tem escândalos’’ e continua ‘’Se há alguém que, aqui e ali, tem um desvio, o próprio governo investiga, como no caso da merenda, e demite. É diferente de um governo que endemicamente pratica a corrupção’’.

No final da sua entrevista, ele voltou a criminalizar os movimentos sociais conforme denunciamos aqui no Esquerda Diário. Exportando o seu exemplo de repressão contra os secundaristas de São Paulo, Moraes afirma que "nenhum direito é absoluto. Manifestação em estrada que queime pneu, que por tempo não razoável impeça a circulação de veículos, não será permitido.’’

Se bem é verdade que o PT durante todo o tempo em que foi governo assimilou muito bem os tradicionais métodos da direita, governando para os ricos, fazendo alianças espúrias e praticando métodos corruptos, o governo do Estado de São Paulo, por outro lado, está bem longe de ser um ‘’governo honesto’’. Ao contrario do que afirma Alexandre de Moraes, o governo de Alckmin não puniu os ladrões de merenda e muito menos todos aqueles que estão envolvidos no cartel do Metrô.

Se formos mais além, o PSDB que está na frente do governo do Estado de São Paulo também está envolvido nos mesmos esquemas de corrupção que o PT participou. São comprovadas as participações de eminentes tucanos em esquemas de desvio de verbas, como em Furnas pelo próprio Aécio Neves, o propinoduto com fraudes nas licitações do metrô e da CPTM paulistas, e o envolvimento de praticamente toda a secretaria de ensino do estado de São Paulo, desde o ex-secretário Herman Voorwald até Fernando Capez, presidente da Alesp. São endêmicos corruptos. Ao contrario do que diz o ministro e a direita brasileira, a corrupção não é fruto de um partido somente, mas sim fruto de um sistema político que permite que tenha uma meia dúzia de pessoas tenham inúmeros privilégios, que exista um Judiciário com juízes que não foram eleitos e que permita esquemas com grandes empresários.

Ao contrario do que afirma Alexandre de Moraes, a manifestação da direita que teve inúmeros casos de racismo, de pessoas que agrediram outras por estarem vestidas de vermelho e que teve a presença de grupos declaradamente nazistas e outros que apoiam a volta da ditadura militar aconteceu com a conivência do Estado de São Paulo. Já os estudantes secundaristas que estão lutando contra o caso de corrupção da merenda e contra o fechamento da sala de aulas, foram duramente reprimidos e vários lutadores foram presos.

O problema de Alexandre de Moraes não são as manifestações que queimam pneus nas estradas, mas sim todas as manifestações que vão questionar os ataques contra os trabalhadores do governo golpista de Temer. Se hoje o governo do Estado de São Paulo está reprimindo duramente os estudantes secundaristas, significa que estes estão questionando de fato a corrupção enraizada do Estado Burguês ao contrário das manifestações coxinhas.

Alexandre de Moraes busca exportar os métodos de repressão sistemática utilizados pela PM paulista a todo o país. É o "general da pacificação" da luta de classes que as finanças mundiais exigem a Temer, instalado no topo do Poder Judiciário, que foi o poder que mais se fortaleceu para, através dos métodos da Lava Jato, violar os direitos democráticos elementares de todos os lutadores que se opuserem aos ataques do golpista Temer e dos governos municipais e estaduais, como o de Alckmin. Para tanto, Moraes abriu uma celeuma com o presidente interino, para exigir autonomia à seleção do Procurador geral da República e ao Ministério Público federal, atendendo aos pedidos da fração paulista do tucanato.

É mais do que preciso derrotar esta corja golpista nas ruas. A luta para derrotar os ataques dos governos e a luta por derrubar o governo golpista de Temer se fundiram em uma só batalha depois da votação no Senado. isto nada tem a ver com desejar a volta de Dilma ou do PT, que fortaleceram a direita. Neste sentido é necessário se solidarizar ativamente com as lutas que estão em curso como da USP, UNICAMP, UNESP em São Paulo e dos secundaristas em vários estados e colocar a necessidade de uma Assembleia Constituinte imposta pela força da mobilização dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre para impor que os capitalistas paguem pela crise, uma batalha estrategicamente vinculada a luta por um governo dos trabalhadores anticapitalista.




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