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Ministro da educação quer "testar" professores da rede pública de ensino

Sabatinado pela câmara, o ministro da educação Abraham Weintraub afirmou que professores e reitores das universidades federais devem “prestar contas ao Congresso”, e que professores e alunos da rede básica devem ser submetidos à testes periódicos, mesmo que seja preciso “gastar mais para realizar."

sexta-feira 24 de maio| Edição do dia

Uma prova, como se já não tivéssemos tantas, de que o corte de 30% do orçamento discricionário da educação pública nacional não tem nada a ver com a “falta de dinheiro” do governo, e sim com um projeto de educação ainda mais submetido aos interesses do mercado e dependente do financiamento privado, supostamente “neutro” e acrítico. O ministro também fez demagogia com o “dinheiro do contribuinte”, que não estaria sendo usado de maneira satisfatória, apesar de as universidades brasileiras estarem entre as que mais têm publicações científicas no mundo.

Weintraub referiu-se novamente ao corte como “contingenciamento”, alegando que este pode ser revisto caso a reforma da previdência seja aprovada e, pari passu a economia do país, o montante dos impostos arrecadados pelo governo volte a crescer, o que, além de uma chantagem, é uma mentira, pois a reforma da previdência não pode tirar o país da crise, ainda mais se o cenário que prevê o FMI é de desaceleração da economia mundial em 2019, Ver em: https://www.valor.com.br/financas/6204907/fmi-projeta-nova-desaceleracao-global-em-2019] e tampouco pode “re-equilibrar as contas do governo”; pelo contrário, serão necessários cada vez mais cortes enquanto o país tiver que pagar a dívida pública, e a aprovação da reforma da previdência só fortalecerá politicamente o governo, que, por isso, não será pressionado por nada que o obrigue a devolver o dinheiro roubado da educação.

As avaliações de desempenho, provável destino do “remanejamento do orçamento para a educação básica” (isto é, daquela parte do orçamento que não for abocanhada pelos detentores dos títulos da dívida pública depois do corte), visam precarizar ainda mais as condições de trabalho dos professores da rede pública, tornado a obtenção do sustento dependente de uma competição, pondo os professores uns contra os outros, dividindo escolas e regiões, e criando argumentos para novos cortes orçamentários e para um progressivo desmonte das escolas que tiverem os piores resultados. Testes padronizados como o Saresp [ver em: https://www.esquerdadiario.com.br/spip.php?page=gacetilla-articulo&id_article=302] (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) não contribuem em absolutamente nada para a melhoria da educação básica.

Ver mais em: https://oglobo.globo.com/sociedade/professores-passarao-por-testes-regulares-defende-ministro-da-educacao-23647519]




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