Internacional

Ministro da Saúde da Bolívia é detido por compra fraudulenta de respiradores

O Ministro da Saúde boliviano, Marcelo Navajas, foi detido nesta quarta-feira junto a funcionários do seu ministério e do Banco Interamericano de Desenvolvimento por super faturação na aquisição de 170 respiradores básicos. O equipamentos custam um pouco mais de 7.000 dólares e foram comprados por 28.000 dólares.

quinta-feira 21 de maio| Edição do dia

A corrupção do governo golpista de Añez aumenta em meio à pandemia. No dia 14 de maio chegaram ao país 170 ventiladores básicos procedentes, por requerimento do governo boliviano, da empresa GPA Innova. Estes ventiladores foram adquiridos com recursos disponibilizados pelo Banco Interamericano de Desenvolvido (BID), organismo que tinha também a responsabilidade de vigiar a utilização correta dos mesmos.

Os equipamentos custaram ao Estado 4.773.600 dólares, levando em consideração um curso por unidade de 28.080 dólares. O impressionante é que na realidade estes ventiladores básicos custam 7.194 dólares, o que multiplicado pelos 170 chega a 1.222.980 dólares. Ou seja, existiu um excedente de mais de 3,5 milhões de dólares, embolsado por intermediários, em comparação ao custo do produto na Espanha.
Quando os equipamentos chegaram no país, tiveram uma recepção grandiloquente.

Añez sinalizou então que “Temos um plano em ação que é para que as pessoas infectadas pelo vírus possam ser atendidas e que não cheguem a precisar dos respiradores, todos os bolivianos merecem ter condições dignas de atendimento médico”. Mas os equipamentos foram criticados seriamente desde o primeiro momento pelos profissionais de terapia intensiva.

Resulta que os equipamentos estrelas de Jeanine Áñez para que todos tenhamos “condições dignas”, para além do super faturamento escandaloso, não tem uma utilidade efetiva para enfrentar o COVID-10. Ou seja, são equipamentos básicos que servem somente para emergências, mas não são os respiradores necessários para terapia intensiva.

Frente à explosão deste escândalo por este novo caso de corrupção, a presidenta declarou nesta terça-feira que este feito atenta contra a economia e a saúde de toda a população. Nas suas palavras: “Como é possível que alguém tenta roubar os bolivianos em pleno sacrifício como o que estamos vivendo”.

Áñez faz declarações completamente demagógicas, considerando a sequência de casos de corrupção, um atrás do outro, da qual viemos sendo testemunhas e que são perpetrados por funcionários de alto nível nomeados por ela mesma. Alguns dos quais envolvem sua própria família, lembremos do caso do avião das Forças Armadas, colocado a disposição da filha de Áñez pelo Ministro da Presidência, Yerko Núñez.

Em meio do que foi qualificado como um caso abafado de corrupção por figuras conhecidas do jornalismo nacional como Jhon Arandia ou Amalia Pando -que estiveram alinhados com o bando golpista e que hoje se escandalizam pela sequência destes fatos, dois altos funcionários do Ministério da Saúde foram detidos, entre eles o próprio Ministro da Saúde, Marcelo Navajas. Além dele também foram detidos dois funcionários do BID que foram parte da operação criminosa.

Este super faturamento em plena pandemia vem após a acumulação de muitos casos de corrupção por parte dos golpistas que estão no palácio há poucos meses. Se nos 4 anos do MAS existiram notáveis casos de corrupção, nos 6 meses de gestão governamental do bloco golpista vão superando rapidamente a gestão Morales.

A denúncia do golpe de Estado em novembro passado realizada por essa linha editorial contra o governo de Áñez jamais esteve orientada a guardar um silêncio cúmplice com o governo do MAS. Sustentamos desde o primeiro momento que o gope contra o MAS era feito, no fundo, contra o povo oprimido e explorado. Agora os apologistas do golpe querem se esconder para não serem vinculados ao atual governo. No entando, eles serviram para legitimar o governo atual e dar-lhe o aval para perpetuar o golpe.

A realidade fala por si só. Enquanto estes “paladinos da democracia” enchem a boca para falar de luta contra a corrupção, existe uma grande quantidade de fatos que demonstram o contrário, e em contraposição existe uma grande quantidade de trabalhadores e trabalhadoras condenados a padecer de fome ou que arriscam serem contagiados pelo coronavírus por tentar vender alguns produtos que sirvam para que se alimentem, se é que não são presos por “quebrar” a quarentena.

Enquanto mulheres trabalhadoras humildes vendem seus produtos nas piores condições, este governo move todo seu aparato para garantir uma viagem de avião para uma ex modelo com fundos do Estado. A realidade é contundente em nos mostrar em poucos meses de qual madeira está feito este governo.

A saída não virá dos abjetos parlamentares do MAS, eles desempenham essa função como moeda de troca para obter condições mais favoráveis para eventuais eleições.
A única saída possível, ainda que não seja fácil, é a organização dos setores que seremos mais golpeados por essa crise do COVID-19 e a crise econômica que se aproxima em passos firmes, os e as trabalhadores, e o povo pobre.

É imprescindível a identificação dos dirigentes burocratas que pularam sem vergonha alguma do barco do MAS para o barco do governo golpista, identificar os dirigentes que conduziram amplas massas da população ao banco do golpe e que os resultados são evidentes, corrupção, repressão, e amedrontamento. É necessário identificá-los para não ser novamente vítimas do seu palavreado. As e os trabalhadores de base devemos recuperar as mãos destas burocracias corrompidas, nossas organizações, impulsionando a organização e a mais ampla democracia operária para discutir como enfrentamos as demissões, os cortes salariais, e todo o ataque capitalista em curso porque desta vez não podemos deixar que descarreguem a crise capitalista nos nossos ombros. A crise deve ser paga pelos capitalistas.

As conquistas dos setores populares, ainda que efêmeras em alguns casos, nunca foram dadas de presente por nenhum governo, foram obra das suas próprias lutas, devemos confiar nas nossas próprias forças.

Publicado originalmente no La Izquierda Diario Bolívia




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