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Ministro da Defesa da Venezuela ostenta poder militar após assalto à sede de Carabobo

Centenas de militares com armamento pesado de guerra se apresentaram na televisão junto ao ministro de Defesa, Padrino López, depois do ataque ao quartel militar, para mostra unidade militar.

quarta-feira 9 de agosto| Edição do dia

O batalhão de oficiais apareceu um dia depois do assalto a um de seus principais quarteis, com trajes de combate, camuflados, com fuzis, tanques de guerra, formados sobre um terreno do complexo militar Fuerte Tiuna, em Caracas. Padrino López, que encabeçava a unidade junto a todo o Estado Maior Conjunto, pediu união da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e om povo venezuelano frente ao assalto que sofreu no domingo a base militar no estado Carabobo (centro norte) e onde os insurretos roubaram algumas armas.

Através da televisão estatal VTN fizeram um chamado “à união nacional, a repelir, a rechaçar com contundência, com firmeza, com convicção, com espírito patriótico, a rechaçar todos estes atos desprezíveis, traiçoeiros, covardes que estão perpetrando contra a pátria de Simón Bolívar”. Além disso, afirmou que investigações que tem realizado sobre o feito já tem alcançado alguns resultados e agradeceu a colaboração dos diferentes corpos de segurança do país, remarcando que “(...) há que fazer um reconhecimento a todos os organizamos de segurança cidadã, do Estado venezuelano que já estão apontando resultados na investigação”.

Este domingo houve um assalto na 41 Brigada Blindada localizada no forte Paramacay, na Naguagua (norte de Carabobo), circulando também um vídeo em que uns 20 militares com armas pesadas se declararam em “legítima rebeldia” contra o governo de Maduro, anunciando que se opõem à “tirania assassina” de Maduro e que reivindicam a confirmação de um governo de transição para terminar com a crise política, social e econômica. Na voz do capitão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) Juan Caguaripano, o mesmo militar que em 2014 difundiu um vídeo declarando apoio ao movimento “La Salida”, impulsionado por Leopoldo López, María Corina Machado e Antonio Ledezma, com o que se propunham derrotar Maduro com a consigna “nas ruas até que se vá”, em relação à derrubada do governo.

Logo se informou que também participou como parte do comando o primeiro tenente Oswaldo José Gutiérrez Guevara, quem, de acordo as declarações de Padrino López, estava envolvido no roubo de munições na 25ª Brigada Caribe na “La Fría”, estado Táchira e ao ser submetido a investigação penal militar desertaram, razão pela qual no momento de participar do assalto “se encontrava na situação de foragido”. Este havia atuado em cumplicidade com o primeiro tenente Yeferson Gabriel García Dos Ramos, quem cumpria funções como oficial responsável do parque de armas dentro do quartel (Paramacay).

É a primeira vez que ocorre um feito destas características sob o governo de Maduro, embora ao final de junho, um oficial da polícia científica CICPC, Óscar Pérez, roubou junto a outros policiais um helicóptero e sobrevoou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) em um ato intimatório fazendo soar várias bombas, para logo escapar e não ser capturado.

Nesse momento não ocorreram declarações oficiais, somente através da figura de Diosdado Cabello, pelas redes sociais falando de “ataque terrorista” e referida instalações militar, e de “absoluta normalidade no resto das unidades militares do país”. Mas esta segunda, Padrino López com toda uma demonstração militar leu um comunicado oficial em quando força Armada, em que “explicava” que o ataque foi dirigido pelos militares e “vários delinquentes civis que portavam vestes militares”, e em que se assegurava que “o feito constituía a comissão dos delitos militares de traição à pátria e ofensa” a Força Armada, entre outros. Chama fortemente a atenção que até o momento não tenha sido o próprio Presidente da República, Maduro em que tenha saído a ser a principal voz do governo sobre o assalto ao quartel militar, mas, sim, Diosdado Cabello e agora o General Padrino López.

Diosdado, depois de instalada a fraudulenta Constituinte do chavismo tomou protagonismo das declarações oficiais e tem sido o que mais declara com respeito à Constituinte, mesmo não sendo ele que a preside, mostrando seu forte controle desde os bastidores. É muito provável que Maduro, a não ser que ocorra grande ascendência entre os militares – sendo melhor através dos grandes benefícios e espaços de poder que lhes tem proporcionado – e os níveis reais de fratura que podem haver nas Forças Armadas, sejam personagens de mais peso no setor castrista que saiam a declarar, como Cabello e o próprio Padrino López para contrariar com mais forças qualquer nova movimentação interna.

A ostentação militar foi toda uma encenação para buscar mostrar controle militar em seu conjunto assim como, com o poder de fogo, que repeliram qualquer nova ação dessas características. Segundo tem ocorrido, nos últimos meses vários agentes foram detidos pela Contra Inteligência Militar por formar parte de supostos planos de levantamentos e se tem aberto investigações aos oficiais gerais.

Maduro já havia manifestado no começo de julho, em um incomum discurso e a poucos dias de iniciarem a campanha dos candidatos para a fraudulenta Constituinte, em que pedia aos militares “lealdade absoluta” ante supostos planos para ciar fissuras dentro da FFAA. Declarando que faria “(...) anúncios muito contundentes das conquistas que temos obtido no combate contra o complô, a conspiração no intuito de criar fissuras em nossa FANB”. Tal como escrevíamos nesse momento, “não são poucos os rumores que surgem de forte desconforto no interior das Forças Armadas e do estado de deliberação interna, que pressagiam eventuais ruídos de espadas que venham a agitar as intensas tempestades políticas”. E quando Maduro se referia “as conquistas que temos obtido” seguramente se estava referindo aos fogos que estrariam apagando de sublevações militares, e a pesar de que a ação deste domingo tenha estado cheia de desconfianças e especulações, tudo indica ser uma real expressão dos níveis de fratura nas FANB.

Justamente a oposição, aglutinada na MUD, em todos estes meses de crise tem exercido uma grande pressão sobre os militares para que estes terminem de dar as cartas no assunto, o que se tem entendido como um chamado claro para que haja uma saída militar para a crise, dado que o governo de Maduro é sustentado pelas Forças Armadas. Por isso é que tem realizado mudanças no Estado Maior, assim como tem situado militares de maior confiança nas zonas de maior concentração de armamento, nas 24 zonas de Defesa Integral (ZODI) e nas 7 Regiões Estratégicas de Defesa Integral (REDI). A ajuda militar está cada vez mais presente na crise, por isso os olhos estão postos no comportamento que se pode dar as Forças Armadas nos movimentos internos das mesmas.

Após quatro meses de uma forte política que tem deixado 121 mortes, segundo o Ministério Público, até sábado presidido por Luisa Ortega Díaz, destituída pela fraudulenta “Constituinte”, que terminou instalando o chavismo. A esta crise se somou, no domingo, a sublevação de uns vinte homens vestidos de militares que deixou três mortes e oitos detidos, primeira ação destas características sob o governo de Maduro.

É necessário deixar bem claro que dos militares, ou de algum setor destes, não podem surgir nada progressista, todo o contrário. Seja pela via da força com ações próprias das FFAA, rebeliões militares, os trabalhadores e o povo não podem esperar nada destes setores. Dali é que temos vindo alertando o perigo que representa o crescimento do papel dos militares, seja seguindo agarrados a Maduro, seja apoiando uma “transição” pactuando com a direita, com o imperialismo e com mediadores internacionais, ou exercendo uma saída por suas próprias mãos. Como declarou no mesmo domingo, Ángel Arias, dirigente da LTS logo após tomar conhecimento dos fatos da ação militar “nenhuma saída progressista virá da mão dos quartéis nem deste tipo de revoltas, seja quem os impulsione ou esteja por trás, rechaçamos qualquer intenção de resolver a situação da classe trabalhadora mediante golpes ou autogolpes militares. Somente a irrupção da classe trabalhadora no cenário nacional, com suas próprias demandas e métodos de luta, pode dar as condições para uma saída progressista”.

Tradução: Douglas Silva




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