Cultura

Ministro da Cultura declara apoio a Bolsonaro e ataca Roger Waters

Sérgio Sá Leitão usou o Twitter para criticar o posicionamento de Waters e rebateu mensagens da população, defendendo Bolsonaro.

terça-feira 23 de outubro| Edição do dia

Os shows do ex-Pink Floyd Roger Waters aqui no Brasil deram o que falar. O artista aderiu ao movimento #elenão e em suas apresentações, discursou contra Jair Bolsonaro, utilizando também projeções para deixar clara sua posição em relação ao avanço da extrema direita por aqui. Nosso excelentíssimo ministro da Cultura decidiu tomar partido e acusou o roqueiro de fazer campanha política disfarçada e ainda afirmou que o artista teria recebido R$ 90 milhões para fazer tal propaganda. Além disso, o titular da pasta de Cultura também defendeu o candidato do PSL.

"Roger Waters recebeu cerca de R$ 90 milhões para fazer campanha eleitoral disfarçada de show ao longo do 2º turno. Na Folha (o jornal Folha de S.Paulo), chamou Bolsonaro de ’insano’ e ’corrupto’. Sem provas, claro. Disse aos fãs que não voltará ao Brasil caso ele ganhe. Isso sim é caixa 2 e campanha ilegal!", escreveu em seu perfil no Twitter.

Assim como fazem os defensores de Bolsonaro quando questionados sobre fontes e provas em relação as fake news que alastram pelas redes sociais, o ministro não especificou de onde teria vindo o dinheiro, alegando em seus tuítes que o montante de R$ 90 milhões teria sido diluído no cachê — que, segundo Sá Leitão, teria custado US$ 3 milhões por evento. Comentou que "a questão não é receber para fazer shows. É usar os shows e entrevistas no Brasil, pelos quais recebeu, para fazer campanha eleitoral direta, interferindo no processo".

Na semana anterior Roger Waters condenou o ministro por ele ter afirmado em entrevista que está de saco cheio de shows políticos. Além das falas durante os shows, Waters utilizou o telão no palco para exibir uma lista de líderes mundiais considerados neofascistas. Desde então, Waters repetiu a postura contestadora em cada show e obviamente, causou inquietação naqueles que acreditam que ele não deve se manifestar politicamente.

Sobre o ministro, Waters afirma que o mesmo deveria abrir mão de seu cargo por desconhecer o componente político que há na cultura.

O ministro de fato desconhece ou finge não saber que para além das prateleiras da indústria cultural a arte que se faz e se compartilha já é, simplesmente por existir, um ato político. Contra o capitalismo, contra as engrenagens da censura, da escassez e do silenciamento, e sobretudo, para que cada jovem, criança, mulher e trabalhador entenda a cultura como direito e não como mercadoria.

Diversos artistas e coletivos já se manifestaram contra Bolsonaro e o avanço dessa extrema direita espúria, mas é urgente que compreendamos que não será nas urnas que combateremos os ataques que se aprofundam desde o golpe. No último domingo inclusive, comprovamos o quanto o TSE pode ainda atuar lado a lado com os golpistas, lavando as mãos como Pilatos sobre o escândalo do caixa 2 na campanha de Bolsonaro. E desde a prisão arbitrária de Lula, ficou evidente o caráter bonapartista do judiciário e a manipulação dessas eleições.

Bolsonaro vem para arrancar de cada trabalhador o que Temer ainda não conseguiu tirar. Portanto é imprescindível que os coletivos , artistas, sindicatos e cooperativas se organizem, que estejam nos locais de trabalho e estudo, lado a lado com os estudantes, jovens, mulheres, trabalhadores, negros, LGTBS para assim, na luta de classes, de fato combater tais ataques, a extrema direita, Bolsonaro e todos os golpistas. Sabemos que é através da arte e de suas diversas linguagens e manifestações que muitas vezes conseguimos dialogar e difundir o pensamento crítico. Agora é o momento de fazer vivo o legado de Trotski: “A nova arte não só mudará a vida, mas lhe arrancará a pele”.




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