Educação

CORTE NA EDUCAÇÃO E PESQUISA

Ministro afirma que verba do CNPq só dura até setembro e 80 mil estudantes ficarão sem bolsa

Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia de Bolsonaro, afirmou em entrevista ao Globo News que só há verba para pagar bolsas para pesquisadores brasileiros até setembro.

terça-feira 27 de agosto| Edição do dia

"A gente tem o recurso agora até o final desse mês, que a gente vai fazer pagamento, em 1º de setembro. E a gente vai ter que achar para outro mês". O ministro ainda prossegue dizendo que caso não haja orçamento as bolsas podem acabar.

Com o avanço dos cortes de Bolsonaro e Weintraub, com seu projeto "Future-se", que na prática significa a privatização do ensino superior e a abertura ainda maior da universidade pública para as empresas lucrarem.

Sob o discurso embelezado de Weintraub de que as universidades poderão "gerar sua própria receita", a realidade se mostrará ainda maior espaço para empresas explorarem a universidade pública em níveis extraordinários comparado ao que acontece atualmente, como por exemplo na USP, onde a mineradora Vale, responsável pelos crimes de Brumadinho e Mariana, mantém altos investimentos em pesquisas que possam aumentar seus lucros.

Saiba mais: Os convênios da USP com a Vale: uma reflexão sobre o papel da universidade

O rombo imposto ao CNPq pelo governo Bolsonaro é de 330 milhões e grande parte desses cortes contra a educação foram utilizados como moeda de troca para comprar parlamentares e garantir a aprovação da reforma da previdência.

Com os cortes, o CNPq já barrou a abertura de novas concessões de bolsas, tornando-se um importante entrave para o desenvolvimento da pesquisa no Brasil. Se as bolsas em curso não forem pagas, estima-se que cerca de 80 mil pesquisadores que dependem do CNPq para realizar seu trabalho ficarão sem bolsa.

Veja também: Bolsonaro quer fechar CNPq para acabar com pesquisa e transformar país em "fazendão do mundo"

É importante ressaltar também que, muito ao contrário do que propagandeia agências de fomento não podem trabalhar, estando ligados ao auxílio via contrato que exige dedicação exclusiva. Assim, sem bolsas, centenas de pesquisas podem se perder e anos de trabalho de pesquisadores brasileiros jogados no lixo pelo governo Bolsonaro.


Bolsonaro e seu ministro Marcos Pontes

Os milhares de investimentos cortados pelo governo Bolsonaro, os ataques contra a educação, associado ao projeto de privatização do ensino público e da pesquisa científica, desmontando importantes agências de fomento científico no país, estão intimamente ligados ao projeto de governo de Bolsonaro de transformar o Brasil em um paraíso aos capitalistas para aprofundar ainda mais a precarização da vida de conjunto.

Como exemplo disso, a destruição dos recursos naturais, como exemplo catastrófico da Amazônia, não estão desvinculados dos ataques à universidade pública, bem como da nova reforma trabalhista e da reforma da previdência.

Veja também: A Amazônia sob o fogo de diferentes projetos capitalistas

Bolsonaro já declarou anteriormente que irá favorecer pesquisas que possam se transformar em lucro aos capitalistas, como Engenharias, Medicina e Medicina Veterinária, e cursos correlatos, que poderão ter suas tecnologias sugadas pelo agronegócio.

Assim, abrindo espaço para o avanço da devastação ambiental, a brutal liberação de novos agrotóxicos, somadas aos profundos ataques à universidade pública e as reformas, são uma importante via para garantir o aumento da exploração dos trabalhadores e da juventude brasileira para que os capitalistas possam arrancar cada segundo de nossas vidas e fazer com que paguemos pela crise.

É urgente que a classe trabalhadora e a juventude, se coloquem nas ruas como uma força potente e explosiva contra Bolsonaro, Congresso, judiciário e contra os capitalistas, sem dividir os ataques deste governo que quer nos impor um futuro sem perspectivas para manter os lucros dos capitalistas.




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