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AGROTÓXICOS

Ministra da agricultura de Bolsonaro acelera a liberação de agrotóxicos perigosos

Em 2019, a ministra da agricultura Tereza Cristina, também conhecida como a "Musa do Veneno", está acelerando a liberação dos agrotóxicos onde só na segunda semana de janeiro, 28 venenos foram registrados.

segunda-feira 21 de janeiro| Edição do dia

Em meio a medidas reacionárias e escândalos de corrupção como o caso do Queiroz, motorista de Flávio Bolsonaro, acusado de ser “laranja” do senador eleito, para lavagem de dinheiro, O governo Bolsonaro segue a tendência já anunciada por ele e já em movimento no governo Temer de liberação de agrotóxicos proibidos em muitos lugares do mundo. O Brasil já era recordista mundial no uso de defensivos e agora isso será ainda mais escandaloso e danoso à população e ao meio ambiente.
Só nos últimos três meses de 2018, 131 pedidos de registros de novos agrotóxicos foram liberados. A maioria das autorizações são para agrotóxicos considerados perigosos ou muito perigosos para o meio ambiente, variando de toxicidade para os humanos de mediana a alta.

Já em 2019, com o ministério da agricultura já sobre o comando de Tereza Cristina, a “musa do veneno”, dos 28 produtos registrados na segunda semana de janeiro, 18 são princípios ativos para fabricação de outros defensivos agrícolas, o que na prática faz com que o número de defensivos seja muito maior do que se está liberando, além de tornar ainda mais difícil as formas de controle sobre o uso, ficando a cargo dos produtores, do grande latifúndio, a quantidade, tipo e como usar qualquer veneno.

Considerando as condições de trabalho no campo e a conhecida ganância e irresponsabilidade dos ruralistas nacionais, muitos já pegos explorando trabalho análogo à escravidão, o que se desenha é um cenário de morte de trabalhadores rurais (os mesmo que morrerão antes de se aposentar com a reforma da previdência) e destruição ainda maior da fauna e flora.

Tereza Cristina (DEM) é ministra da agricultura, pecuária e abastecimento (MAPA) e líder da bancada ruralista presidindo a FPA (frente parlamentar agropecuária) com mais de 200 parlamentares membros. Eu seu discurso de posse, deixou claro que haveria mudanças nas regras para os defensivos e muito espaço no Brasil para as empresas fabricantes. Nos bastidores trabalha para aprovação da PL 6299/2002, que flexibiliza as regras. Também anunciou o fim da “indústria da multa” contra as irregularidades dos latifundiários. Isso é uma ameaça direta a órgãos como IBAMA e ICMBio que fiscalizam o setor.

Um dos defensivos, o sulfoxaflor, que foi usado nos EUA, é comprovadamente um assassino de abelhas e proibido por algum tempo por lá e depois liberado apenas para ser usado em algumas culturas alimentícias.

Grande parte dos pedidos de registro aqui no Brasil são de empresas internacionais, muitas americanas, como a Dow AgroSciences, onde assim como nos EUA, há um grande lobby destas empresas junto aos governos para liberação dos venenos. Esta empresa tentava aqui o registro do mesmo defensivo que mata as abelhas, desde 2013, conseguindo liberação apenas durante o governo Temer.

Outro veneno liberado que mata as abelhas é o Fipronil, proibido na França. Sua proibição se deu após ser notada a redução de 40% dos enxames de abelhas no país e pesquisas mostrarem a relação entre a morte das abelhas e este defensivo.
Existem várias pesquisas que indicam a importância das abelhas para manutenção das nossas condições de vida e alimentares e que por todo o mundo elas estão desaparecendo.

Esse movimento de liberação já vinha sendo acelerado pelo governo Temer, pois o número de registros cresceu muito. Foram quase 300 liberados em 2016, perto de 400 em 2017, chegando a 450 em 2018. Em 2015 ainda no governo Dilma, o número de liberações não chegou a 150. Em 21 dias, Bolsonaro já sinalizou que seguirá nesse rumo.

Essa introdução de mais química é algo muito polêmico no mundo atualmente, já que há uma guerra comercial, onde o auge disso aconteceu ano passado quando da fusão entre Monsanto e Bayer. A maior produtora de alimentos transgênicos do mundo com a uma maiores indústrias químicas, especialista em remédios e venenos.




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