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MINISTÉRIO DA SAÚDE

Ministério da Saúde contrata grupo investigado por fraudes e ataques a candidatos

Empresa responsável por disparar ligações para fazer a busca de doentes foi contratada sem licitação devido a pandemia.

segunda-feira 27 de abril| Edição do dia

A Talktelecom Comércio de Equipamentos de Informática e Serviços Empresariais foi contratada pelo Ministério da Saúde sem licitação, amparada pela legislação relativa ao estado de emergência de saúde pública no país. A empresa vai receber R$46,8 milhões para realizar 120 milhões de ligações automatizadas, cujo objetivo seria buscar e monitorar doentes, ligando para as casas dos brasileiros.

A empresa é ligada ao conglomerado empresarial suspeito de ter espalhado mensagens pejorativas por meio de pesquisas falsas durante as eleições para governador do estado do Rio de Janeiro de 2014, que buscavam depreciar os então candidatos Lindbergh Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB). Ficou comprovado que as ligações realmente aconteceram, mas a investigação não concluiu quem teria sido o contratante da “guerra telemática”.

Os administradores do conglomerado alegam que suas empresas não são responsáveis pelo conteúdo das mensagens e que seu papel se resume a disponibilizar equipamentos e linhas telefônicas para outras empresas.

As operações suspeitas do grupo, no entanto, não se restringem a este caso. A Falkland, do mesmo conglomerado, já foi investigada pela Anatel em diversos processos.

Um dos casos envolve um esquema fraudulento que simulava ligações de longa distância usando rede de outras operadoras com objetivo de cobrar pela interconexão. Somente com a operadora TIM a fraude gerou lucro líquido de R$1,5 milhão. E ainda há infrações envolvendo Vivo e outras empresas.

O grupo também foi acusado de prolongar e cobrar excessivamente por ligações direcionadas a programas de televisão, em que consumidores chegaram a pagar 10 vezes mais por uma ligação propositalmente longa. Há uma ação em curso movida pelo Ministério Público do estado de São Paulo que busca ressarcir estes consumidores.

Chama a atenção um investimento tão alto, num momento em que faltam testes, EPIs, leitos e respiradores, o que seria necessário para de fato combater a pandemia, em uma empresa com tantos processos suspeitos e ainda para uma medida pouco efetiva, que apenas vai consultar as pessoas sobre seus sintomas.




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