Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO

Minas Gerais está acima da média em casos de feminicídio e precisa de um plano de emergência

A Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais divulgou dados sobre crimes referentes ao feminicídio no estado.

segunda-feira 11 de dezembro de 2017| Edição do dia

A Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais divulgou dados sobre crimes referentes ao feminicídio no estado. Os dados mostram que no ano de 2016, 458 mulheres foram vítimas de homicídio em Minas, sendo que 86,68% dos casos (397 mortes) foram por feminicídio. Segundo os dados, em 2016, Contagem foi a cidade que mais teve mais mortes por feminicídio: 41 casos de janeiro a dezembro.

A maioria desses casos aconteceram por contexto familiar, como o caso que aconteceu com Maria de Fátima Santos, que foi assassinada pelo ex- companheiro que também agrediu a mãe e a filha da vítima. O mapa da violência feito pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) com apoio da ONU (Organização das Nações Unidas) aponta que 50% dos assassinatos de mulheres são cometidos por parentes e 33% por companheiros ou ex companheiros.

Os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais também mostram que os casos de feminicídio em Minas Gerais está acima da média brasileira.

Apesar dos altos índices de casos de feminicídios, os dados ainda estão abaixo da realidade de todos os casos de assassinatos das mulheres, visto que muitas denúncias nem chegam a ser formalizadas e muito menos levadas a sério pela polícia.

No mês passado, duas meninas, uma de 16 anos e uma de 18 anos, foram assassinadas em um sítio em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte e veio a tona um esquema de prostituição infantil e adulta, organizado por políticos e pela polícia. O caso denúncia a realidade cruel das mulheres em Minas Gerais, que levam uma vida miserável e são submetidas a prostituição, e que quando se negam, são mortas como essas jovens.

É preciso reconhecer que o Estado e suas instituições são responsáveis pela morte de centenas de mulheres por abortos clandestinos, que suas forças repressivas, funcionários políticos e judiciais são envolvidos com redes de prostituição, assédio sexual envolvendo crianças e adolescentes, que o Estado também é responsável pelas enfermidades, acidentes e mortes que provocam o trabalho precário, situação a que se encontram mais de 40% das mulheres trabalhadoras do Brasil, e por isso, as militantes do grupo de mulheres Pão e Rosas e do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores ) acham fundamental expressar a brutal realidade de violência das mulheres e apresentam um Plano de Emergência que achamos que deveria ser defendido por todas as figuras e parlamentares da esquerda.

Flavia Valle, professora de sociologia da rede estadual em MG, ex candidata a vereadora do MRT pelo PSOL, e uma das idealizadoras deste plano, denunciou a violência contra as mulheres em Minas Gerais e disse:

“É inadmissível que as mulheres continuem morrendo apenas por serem mulheres. Os golpistas vêm para aprofundar essa situação, e sob o governo do PT, não assistimos nenhuma mudança desse quadro de violência no Estado. Ao contrário, a média de mulheres desempregadas por exemplo, supera a média nacional na região metropolitana de BH”.

Veja o vídeo denúncia de Flavia Valle:




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