Sociedade

“Não tem água e também não tem mais terras”, mas nossas vidas importam mais que os lucros das mineradoras

Minas Gerais é líder no conflitos por água, são 58, um terço de todos os casos no Brasil

Desastre criminoso em Mariana, chacina de sem-terra no Pará, e mais de 44 mil famílias envolvidas em 172 conflitos por água no Brasil. Os culpados são as mineradoras, os grandes latifundiários e o Estado. Nossas vidas importam mais que os lucros deles.

sexta-feira 14 de julho| Edição do dia

Desastre criminoso em Mariana, chacina de sem-terra no Pará, e mais de 44 mil famílias envolvidas em 172 conflitos por água no Brasil. Os culpados são as mineradoras, os grandes latifundiários e o Estado. Nossas vidas importam mais que os lucros deles.

Minas Gerais lidera o número de conflitos por água no Brasil: são 58 focos, quase um terço do total. Os culpados pela escassez de água na grande maioria dos casos sãos as grandes mineradoras como a Anglo American, que soterram nascentes, matam peixes e extinguem espécies de vários outros seres, destroem ecossistemas e a vida de famílias que são “retribuídas” com galões de água que mal dão para tomar banho.

Em Conceição do Mato Dentro – MG a água, quando chega para as famílias, é de caminhão, um consórcio entre a Anglo American e a prefeitura. “Dependo da água que vem do caminhão-pipa que a prefeitura traz, mas a gente tem medo de tomar” diz morador que busca água com os vizinhos, distantes por 2km. Outra moradora, a idosa Alice Rosa, convive com a falta de água e com tremores causados pelo mineroduto Minas-Rio. Ela criou os filhos plantando mandioca e vendendo farinha, mas conta que “hoje não dá mais para plantar. Não tem água e também não tem mais terras, porque os fazendeiros que arrendavam para a gente já venderam tudo”, e que com a água que recebe ela cozinha, mas não dá para lavar roupa nem tomar banho.

Não é a primeira vez que Minas Gerais está no foco de absurdos como esse: em novembro de 2015 o rompimento de uma barragem de rejeitos da Vale do Rio Doce/Samarco, um crime cometido pela empresa privatizada por FHC, matou um rio e ceifou milhares de vidas, dentre as quais estão 19 vidas humanas. As vidas das famílias atingidas mudaram radicalmente enquanto os ricaços da Samarco continuam enriquecendo.

Os recentes conflitos por terra no norte do país, com índios e sem-terras assassinados por capangas e policiais, também são exemplos da barbárie instalada pelos ricos, apoiada e fomentada pelo Estado. Isso se intensificou no governo Temer, que além de manter os olhos fechados para a demarcação de terras indígenas, como já vinha fazendo os governos do PT, avança nos ataques também aos sem terra, submete milhares ao desemprego e alimenta a bancada ruralista e a casta mais conservadora do país.

Essa é a realidade do capitalismo: os políticos trabalhando para os empresários que os financiam, ambos enriquecendo enquanto arrancam os direitos dos mais oprimidos e explorados, submetendo milhares à extrema pobreza e à carência das mínimas condições de sobrevivência, como a água. As vidas de cada um de nós valem mais que os lucros deles.

fonte: O Tempo




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