REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Militares terão aumento que custará bilhões enquanto população pobre trabalha até morrer

O Ministério da Defesa encaminhou ao Ministério da Economia nesta semana a proposta de contrapartida reivindicada pelos militares para que estes sejam incluídos na Reforma da Previdência. Como pontos de exigências estão aumentos em bonificação e remuneração, além de outras medidas. Se atendida, a proposta significará um gasto a mais de 1 bilhão de reais por ano na próxima década. Com apoio de Paulo Guedes os militares tentam transformar a Reforma numa via de aumentar seus privilégios, deixando bem claro as mentiras de Bolsonaro, pois os únicos sacrificados deverão ser os trabalhadores e pobres.

sexta-feira 15 de março| Edição do dia

Nesta quarta, 12, o Ministério da Defesa entregou aos cuidados de Paulo Guedes e seu Ministério da Economia as exigências dos militares para que entrem nos planos da Reforma da Previdência. A proposta que tem uma previsão de aumentar os gastos públicos com a carreira dos militares em cerca de R$10 bilhões nos próximos dez anos é uma verdadeira afronta aos trabalhadores que não só estão vendo suas futuras aposentadorias em risco, como também estão em larga escala sofrendo as consequências da Reforma Trabalhista e ampliação da terceirização aprovadas no último governo, apoiadas e continuadas pelo reacionário Bolsonaro.

A Reforma da Previdência alternativa para os militares propõe mudanças em leis e no Estatuto dos Militares, promovendo uma reestruturação da carreira de todas as Forças Armadas. Nas alterações estão incluídos aumento de salários, de promoções e bonificações. Os altos custos dessa proposta, bem vista por Paulo Guedes, mostram a demagogia do governo de que todos serão sacrificados, pois estão aumentando os privilégios dessa elite em meio a uma proposta duríssima para a maioria, que impedirá milhões de trabalhadores de se aposentem ou que lhes oferecerá aposentadorias miseráveis para sobreviver se alcançarem a idade imposta.

Também nas contrapartidas é visível que o trabalhador será quem pagará a conta com sua vida, já que os militares se podem aposentar com salário integral (com teto de 33 mil reais) após 30 anos de carreira e estão propondo aumentar para 35 anos, o que acontecia em média por volta dos 40 anos de idade e deve mudar pouco. Já a maioria dos trabalhadores podia aposentar com um teto salarial de menos de 6 mil reais e após mais anos de contribuição, por volta de 50 anos mulheres e 55 homens e que agora deverá aumentar para 65 anos homens e 62 mulheres, sendo exigido contribuição ao INSS de 40 anos para receber o salário integral. Uma medida para que os trabalhadores literalmente trabalhem até morrer, com um ataque ainda maior às mulheres, trabalhadores rurais e à população em situação de extrema pobreza.

O governo, apoiado nas políticas do reacionário Trump, cada vez mais mostra seu lado: o dos ricos e empresários, que querem fortalecer as forças repressivas, policiais e militares, contra a população. Isso é muito visível pois enquanto apresentam o argumento da crise para piorar condições de trabalho do povo pobre e impor uma absurda reforma da previdência para os trabalhadores, com mais ajustes e arrocho salarial, se dispõe a gastar bilhões para aumentar os privilégios e benefícios de poucos.

E esse plano da Reforma de Paulo Guedes e Bolsonaro de fazer com que sejam os trabalhadores a pagarem pela crise é totalmente combinado ao pacote de Sérgio Moro que aumenta a repressão policial e o autoritarismo a níveis escandalosos desde o fim da Ditadura Militar, e oferece maior liberdade aos militares para matar e perseguir impunemente a população trabalhadora, negra e pobre.

Paulo Guedes, que está em negociação direta com os militares, defendeu a proposta, afirmando que os militares estão defasados em relação aos civis, mas a comparação que faz não é com o trabalhador médio do país, que ganha um salário muito abaixo do mínimo de R$ 4 mil estipulado pelo DIEESE para sustentar suas famílias. Ao contrário, Guedes compara a carreira e salário dos militares com outros dois setores privilegiados, os juízes e políticos, com seus salários de dezenas de milhares de reais e altos benefícios, pagos para representarem os interesses dos grandes empresários e manipular os direitos elementares da população, como se tornou prática comum desde o golpe institucional.

É um absurdo que o governo gaste bilhões com os militares que exterminam todos os dias a população nas favelas enquanto ataca os trabalhadores para nos fazer pagar pela crise. Contra a Reforma da Previdência e os ataques declarados de Bolsonaro e seu governo, nós trabalhadores devemos nos organizar em nossos locais de trabalho, estudo e moradia para construir um combate efetivo. Para isso é fundamental que as Centrais Sindicais que estão chamando um ato para o dia 22 de março saiam da rotina e articulem a revolta em cada categoria para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise que eles criaram.




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