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Militares saem em defesa de Moro e da Lava Jato: unidade para defender o legado do golpe

Após Sérgio Moro e a Lava Jato serem desmascarados com o vazamento de mensagens que revelam o caráter parcial da operação, integrantes da ala militar saem em defesa do superministro e de procuradores.

quinta-feira 13 de junho| Edição do dia

Na “montanha russa” dos setores dentro do governo Bolsonaro, militares também se colocam em defesa de Moro após os vazamentos dos arquivos publicados pelo jornal The Intercept Brasil, que comprometeram ainda mais qualquer aparência de legalidade da operação Lava Jato, e escancaram o comprometimento político por trás da prisão de Lula.

Visando defender Moro e a Lava Jato, três generais já se pronunciaram sobre o assunto. Dentre eles, o vice-presidente Hamilton Mourão, que afirma que os diálogos vazados estão fora de contexto, e reforça a confiança que Bolsonaro tem no ministro. “Conversa privada é conversa privada, né? [...] Então o ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente, é uma pessoa que, dentro do país, tem um respeito por parte enorme da população”.

Fernando Azevedo e Silva, reitera confiança em Moro e afirma que “o ministro Moro tem total confiança nossa. Ele é um homem de muito respeito e do bem”.

O general Augusto Heleno rechaça os vazamentos e defende a operação por meio de mensagens a aliados, dizendo se tratar de ataques hackers ilegais, e que o objetivo seria atingir Moro, “cuja integridade e devoção à pátria estão acima de qualquer suspeita”.

Vale lembrar que nas disputas dentro do próprio governo, parte da ala militar sempre apresentou apoio à Lava Jato e ao bonapartismo judicial como meio de controlar Bolsonaro e os intentos impetuosos da ala mais ideológica e “trumpista” do governo.

Com um posicionamento que segue menos o alinhamento total com a política econômica dos EUA e mais uma colocação equilibrada entre potências como a China, os generais pactuam com o bonapartismo judiciário exercido pelo poder executivo como meio de um controle autoritário pelo poder coercitivo do judiciário sobre o Congresso, diluindo o poder de Bolsonaro e tomando mais controle do poder executivo.

E todas as alas do governo, incluídos os militares, confluem em submeter o Brasil ainda mais ao domínio dos distintos imperialismos, com mais financeirização, desindustrialização e privatizações, um plano central do golpe institucional, que tem como carro chefe a reforma da Previdência.

A sanha pelo controle mais direto do executivo, pelos militares, já se expressa desde a época eleitoral, quando, por exemplo, o general Hamilton Mourão insinuava uma possibilidade de autogolpe, ou com as declarações golpistas por parte de Villas Boas, que criticava o “messianismo” de Bolsonaro reforçava os intentos de aproximação dos militares, chegando a ameaçar alguma reação caso Lula não fosse mantido preso.




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