Política

Militares e centrão: uma aliança suja para sustentar o governo Bolsonaro

Gerando desconfianças em todos os lados, os ministros militares de Bolsonaro começam a se reunir com figuras do Centrão para negociar cargos do Executivo em troca de apoio ao presidente, atormentado por uma pilha de processos de impeachment.

quarta-feira 27 de maio| Edição do dia

Não é distante a memória de uma postura “linha dura” de Bolsonaro e sua trupe contra a chamada velha política, baseada no bom e velho toma lá da cá, recheado de negociações por baixo dos panos e corrupção. O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não media palavras contra o Centrão, já chamado por ele de “materialização da impunidade”, entretanto, apesar de fresca esse discurso já faz parte do passado, agora não só Heleno, mas também outras figuras do governo Bolsonaro, como o próprio Braga Netto, abrem as portas do governo para a mesma "velha política" tão bem conhecida por todos.

Na última semana veio a público o vídeo de uma reunião ministerial de um mês atrás, citado por Moro na sua saída do governo, quando acusou Bolsonaro de tentar intervir na Polícia Federal em favor de seus filhos. A ideia de Moro era causar desgaste entre Bolsonaro e a cúpula militar, mas o tiro saiu pela culatra e desde então os militares passaram a demonstrar ainda mais comprometimento com o governo Bolsonaro.

Outro efeito adverso foi a passagem de algumas figuras conhecidas do centrão para a base de apoio do governo, como é o caso de Roberto Jefferson, que nas últimas semanas se metamorfoseou de um conservador da velha podre oligarquia em um verdadeiro Bolsonarista, chegando a incentivar ataques ao STF em seu perfil no twitter. Com isso vai se reconfigurando as alas em disputa no regime, sendo que o projeto de bonapartismo encabeçado por Bolsonaro ganha mais força.

Para conduzir as negociações de cargo, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, o general Luiz Eduardo Ramos, foi escolhido por Bolsonaro. Arthur Lira, líder dos Progressitas na Câmara e outra figura conhecida do centrão tem feito a ponte com Ramos para levar os pedidos de cargo. As negociações são feitas abertamente pelos generais que tanto falsamente criticaram a velha política em outros momentos, a tentativa é fortalecer o governo e despistar a possibilidade de qualquer processo de impeachment.

Nesse sentido, a profunda crise sanitária, econômica e política que afeta o país vem para deixar claro àqueles que tinham dúvidas que o discurso anticorrupção do governo não passava de uma mera demagogia. Roberto Jefferson é conhecido por ser o pivô das investigações contra Lula em 2005 e Arthur Lira, com quem Bolsonaro chegou a gravar um vídeo, foi acusado de encabeçar um processo de pagamento de propina totalizado em 1,94 milhão de reais.

Claro que essa mudança de postura já começou a gerar desgaste para Bolsonaro, que argumenta que as indicações feitas nessas “conversas republicanas” precisam ser aprovadas pelo Sistema Nacional de Indicação e Consultas, e prefere não usar o termo “Centrão”, falando agora de “aliança de centro-direita”.

Longe de serem incorruptíveis, como querem fazer parecer, os militares seguem sua agenda de servir aos interesses das classes dominantes no brasil e toa sua velha e corrupta elite, assim como sempre estão prontos para a repressão, seja no Haiti, em operação que o próprio Heleno comandou, seja nas favelas do Rio de Janeiro, onde deram 80 tiros contra um carro de família e mataram um músico, ou nas manifestações populares de São Paulo, onde um capitão da inteligência infiltrado prendeu um grupo de secundaristas. Para levar a cabo estas operações, se juntam a todo tipo de corrupto, como foi o caso do juiz Lalau, amigo próximo de Heleno nos anos 1990 e como é hoje o caso dos deputados do Centrão, como Roberto Jefferson, envolvido em diversos escândalos.

Leia mais: General Heleno, o amigo do corrupto juiz Lalau

Por tudo isso, não podemos nos restringir a consigna do Fora Bolsonaro, é preciso dizer fora Mourão e os militares! Restringir a revolta dos trabalhadores apenas a remoção de Bolsonaro, é ignorar o resultado concreto que teria a emergência de um governo militar juntos com as elites mais podres do agronegócio, indústria, comércio, etc. É preciso gritar Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, fazendo avançar esse repúdio ao questionamento geral do regime cada vez mais degradado. O povo precisa decidir, por isso defendemos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, na qual seja passado a limpo nosso degradado regime.

Veja mais sobre a saída política que o Esquerda Diário defende: Mais do que nunca é urgente uma estratégia revolucionária pra derrotar Bolsonaro e Mourão




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