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Milhares protestam no Iraque por reformas políticas mesmo com proibição do governo

Nessa sexta (15), milhares de iraquianos tomaram a ruas do centro da capital Bagdá, ocupando por inteiro a Praça Tahrir, um dos pontos principais da cidade, mesmo a manifestação sendo considerada pelo governo como uma “ameaça terrorista”.

Artur Lins

Estudante de História/UFRJ

sexta-feira 15 de julho de 2016| Edição do dia

A manifestação foi convocada pelo aiatolá Muqtada al-Sadr, que há meses vem organizando protestos demandando por reformas políticas e econômicas no Estado para enfrentar a corrupção endêmica do regime e a profunda divisão política e social do país, inclusive sob sua direção a “Zona Verde”, área desde a ocupação dos EUA intocada pelo cidadão iraquiano comum, foi ocupada por milhares de manifestantes que reclamavam pelo fim da corrupção e pelo início de reformas políticas.

O ato desta sexta havia sido “desautorizado” pelas forças de segurança nessa terça (12), alegando que seria uma “ameaça terrorista” ao governo, em guerra atualmente contra o Estado Islâmico.

A maioria dos cartazes e placas em punho na manifestação expressava vontade de transformação, através de frases como “Sim, sim para as reformas. Não, não ao sectarismo. Não, não a corrupção”.

Dentre as reivindicações reformistas de al-Sadr, a que mais é chamada pelo clérigo é a formação de um governo tecnocrata sem relações politicas com as elites do país, pois segundo o aiatolá, para acabar com a corrupção é necessário reformar um “sistema baseado na distribuição de poderes entre facções políticas e sectárias do país”.

Essa massiva manifestação acontece ao mesmo tempo em que o governo iraquiano abre uma ofensiva militar contra o Estado Islâmico a partir da reconquista da cidade de Fallujah. A batalha por essa cidade é vendida pelo imperialismo e pelo governo iraquiano como uma vitória para a população, porém as informações que se tem vão na contramão do que dizem os meios de comunicação oficiais.

Durante a ofensiva militar sobre Fallujah a cidade foi duramente bombardeada, a população não conseguia fugir, sofreram com cortes de energia, falta de alimentos e recursos medicinais, além de várias residências serem destruídas pelos bombardeios. Para piorar, as milícias policiais e civis que integram as “Forças de Mobilização Popular”, em sua maioria xiitas, foram acusados por vários moradores de Fallujah em casos de pilhagem e violência sectária em relação aos sunitas.

Devido também a essa guerra várias cidades do país sofreram com retaliações do Estado Islâmico, através de brutais crimes terroristas contra inocentes xiitas, aumentando a crise interna e a instabilidade política do regime controlado pela maioria xiita fundado depois da queda de Sadam Hussein em 2004.

No entanto, os casos de violência sectária das milícias pró-governo em Fallujah e que já vem de longa data contra os sunitas fez aumentar a indignação das massas, que ao contrário da propaganda sectária das elites tribais xiitas e do Estado Islâmico, convivem cotidianamente sunitas e xiitas nas relações sociais e de trabalho sem conflitos.

Inclusive não só em Fallujah, mas os cortes de energia elétrica, a falta de água potável, o desemprego, a violência urbana, dentre tantos outras calamidades sociais, são sentidas em todo o país, dessa maneira aumentando o descontentamento popular contra o regime político iraquiano de conjunto, ineficiente para resolver os grandes problemas e conflitos da nação.

A resposta do governo foi não responder com violência enquanto a manifestação seguisse “ordeira”, segundo as declarações de Mowaffak al-Rubaie, conselheiro de segurança nacional disse: “Eu não os culpo por estarem com raiva... mas eu insisto aos protestantes por se manterem pacíficos” e que as manifestações não “não deveriam se transformar em confrontação contra a polícia ou o exército”.

Fonte: Al Jazeera




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