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Milhares de trabalhadores sul-coreanos em greve contra a reforma trabalhista

Dezenas de milhares de trabalhadores se mobilizaram nesta quinta-feira na capital da Coréia do Sul em rechaço a uma reforma trabalhista que ajusta o salário segundo mérito e produtividade.

sexta-feira 30 de setembro| Edição do dia

Dezenas de milhares de trabalhadores sulcoreanos paralizaram ontem suas atividades e 60.000 se mobilizaram em Seul em rechaço a uma reforma trabalhista que afeta as escalas salariais.

A greve de 24 horas dos trabalhadores da saúde e os serviços financeiros, se uniu à dos trabalhadores do transporte ferroviário e o metrô, que paralisaram suas atividades no início desta semana, e as ações dos trabalhadores da automotiva Hyundai. Estes últimos vem protagonizando a greve mais importante dos últimos 12 anos, paralisando a totalidade das plantas da maior automotiva da Coreia do Sul, que emprega 50.000 pessoas.

O governo e os empresários vem usando como desculpa o anêmico crescimento econômico do país asiático para avançar em uma série de ataques sobre as conquistas dos trabalhadores. A reforma trabalhista proposta pelo governo tem o objetivo de rebaixar os salários e atá-los à proditividade e mérito dos trabalhos. Desta maneira eliminaram os aumentos por tempo de trabalho e atacam ao mesmo tempo a capacidade de negociação coletiva dos sindicatos sobre temas salariais.

A soma de todas as greves

Os empresários e o governo, por meio do ministro do Trabalho, começaram a atacar os trabalhadores informando os números das perdas multimilionárias que a greve estaria provocando. Desta maneira buscam desacreditar o protesto dos trabalhadores e obrigá-los a aceitar a reforma trabalhista.

No entanto, não parece ser algo fácil já que a agitação se mantém em um importante nível de tensão há meses.

Os trabalhadores do transporte público e privado entraram nesta quinta em seu terceiro dia de greve. Apesar do transporte público manter uma frequência relativamente normal, com cerca de 90% do serviço em funcionamento, o peso da greve no transporte de mercadorias se tornou um inferno para o governo e os empresários. Estima-se que neste setor a paralisação afeta 70% da atividade, o que tem gerado um caos na cadeia de suprimentos e no setor de logística em toda a indústria do país, desde que começou a greve na última terça-feira.

Enquanto isso, a situação na gigante Hyundai tornou-se tão delicada que o ministro do Trabalho Lee Ki-known anunciou nesta quarta à noite que tomaria todas as medidas necessárias, inclusive uma ordem de emergência para proibir as greves na fábrica durante 30 dias. Segundo as leis vigentes, o governo poderia tomar medidas deste tipo somente em casos de conflito em setores relacionados com os serviços públicos. É por isso que os dirigentes sindicais da Hyundai rechaçaram imediatamente a intromissão do governo no conflito que mantém com a empresa, e disseram que se oporiam a uma medida deste tipo a qualquer custo.

À greve dos trabalhadores ferroviários, do metrô e do setor financeiro, que realizam ações desde terça-feira, somaram-se nesta quinta os trabalhadores e trabalhadoras da saúde.

A jornada de luta desta quinta terá continuidade nas próximas semanas com ações de distintos sindicatos que se veem afetados pelo ataque que significa a reforma trabalhista do governo como pela tentativa das empresas de congelar ou baixar os salários na indústria.




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