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Milhares de professores nas ruas do Chile em defesa da educação

Milhares de professores manifestaram-se nessa quarta-feira em Santiago e no resto do Chile no que já é a quinta semana de greve indefinida enquanto a ministra de Educação, Marcela Cubillos, se recusa atender as demandas do Colégio de Professores de Chile.

quinta-feira 4 de julho| Edição do dia

Dezenas de milhares chegaram no centro da capital chilena nessa paralisação da educação a nível nacional, convocado pela CONFECH, organizações de estudantes secundaristas e que teve a adesão do Colégio de Professores.

Em diversas cidades do país marcharam estudantes secundaristas, universitários e principalmente professores. Foi evidente a força da paralisação docente e a ampla solidariedade na população em geral e particularmente no movimento estudantil.

Melhoras nas condições de trabalho e na infraestrutura das escolas públicas são as demandas que os professores exigem do governo, que continua sem dar uma resposta satisfatória para os docentes, que iniciaram a greve nacional no dia 3 de junho.

Os milhares de manifestantes, que se reuniram no centro da cidade, marcharam pela Alameda –a principal avenida da capital- com o lema “por uma nova educação pública” com um grande número de cartazes e palavras de ordem pedindo a renúncia da ministra de Educação, Cubillos.

“Quero que no meu país os professores vivam dignamente”, “hoje a aula é na rua para aprender lutar por nossos direitos” foram algumas das consignas que se repetiram na massiva manifestação.

Na quinta semana de greve, a luta dos docentes passa por uma semana chave, quando o governo tenta endurecer sua linha e aumentar a intransigência. O presidente Sebastián Piñera chegou a declarar que a greve era ilegal. Primeiro a ministra Cubillos, anunciando castigos monetários e possíveis cancelamento de verbas as escolas que tem mais de 4 semanas de paralisação, e finalmente a mais nova do subsecretário do ministério de Educação disse que não haverá negociação até os professores levantarem a greve.

Os professores já tinham respondido às ameaças do governo quando numa votação nacional, o 73% dos professores que votaram (30.936) rechaçaram a proposta do ministério de Educação e decidiram continuar a greve indefinida no país, pois consideraram que a proposta não atendia suas demandas.

Frente a esse cenário, a direção do Colégio de Professores, que concentra a maioria dos docentes, se limita ao chamado de panelaços e manifestações nacionais, na medida que possam conseguir alguma concessão do governo.

Isso leva a greve a um ponto de inflexão. Se continuar com essa estratégia, o desgaste vai levar aos poucos a diminuir a força da mobilização, fortalecendo o governo que está totalmente questionado e só pode apostar ao desgaste dos professores para se impor.

Sobre esse momento da luta dos professores, Dauno Tótoro, referente do PTR (Partido dos Trabalhadores Revolucionários, organização irmã do MRT) afirmou que “é necessário avançar para multiplicar os exemplos de coordenação e mobilização comum que tem se desenvolvido em diferentes cidades do país, como Concepción, Antofagasta ou Valparaíso, onde os professores se mobilizaram junto aos trabalhadores portuários, mineiros, estudantes, manipuladores de alimentos e outros setores”.

Tótoro acrescentou que “com essa perspectiva as regionais do Colégio de Professores podem ser pontos importantíssimos de articulação, levantando assembleias junto a trabalhadores, estudantes e pais, com o objetivo de ampliar e ativar a solidariedade de todos os setores, como por exemplo as e os trabalhadores de Wallmart, categoria que supera os 18 mil trabalhadores no total e estão negociando com a empresa”.

A vitória da luta dos professores pode permitir enfrentar a totalidade das ”reformas estruturais” precarizadoras, a tributária que aumenta os privilégios das grandes fortunas, a reforma da previdência que fortalece o negócio privado das empresas com a aposentadoria, e a reforma trabalhista que só fortalece os chefes e patronais para explorar mais e melhor. Também, é o caminho para retomar a luta histórica pela educação gratuita universal, democrática, laica e não sexista.




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