Internacional

EXTREMA-DIREITA NA aALEMANHA

Milhares de fascistas saem à caça de imigrantes e militantes de esquerda, na Alemanha

Na cidade de Chemnitz, na região de Sajonia, cerca de 1.000 neonazistas marcharam, no domingo, pelo centro da cidade para caçar imigrantes. Eles aproveitaram o assassinato de um homem de 35 anos, na noite de domingo. Na segunda-feira à noite houve outra grande manifestação da extrema-direita, com milhares de participantes, na qual, novamente, foram atacadas pessoas de esquerda e jornalistas.

quarta-feira 29 de agosto| Edição do dia

Depois do assassinato de um homem de 35 anos de idade, na cidade de Chemnitz, neste fim de semana, cerca de 1.000 neonazistas se mobilizaram, no domingo, pelo centro da cidade. Durante a caminhada, atacaram migrantes e feriram diversas pessoas.

Segundo a polícia, os supostos autores do homicídio vêm da Síria e do Iraque. A partir disso, a extrema-direita convocou, pelas redes sociais, uma mobilização para “mostrar para os estrangeiros quem manda aqui". A direita está instrumentalizando esse assassinato para disseminar, nas ruas, sua propaganda xenófoba contra os refugiados.

Os violentos tumultos em Chemnitz continuaram na segunda feira à noite. Aproximadamente 1.500 ativistas de esquerda haviam se mobilizado contra a propaganda e mobilização racista. Então, cerca de 5.000 militantes da extrema-direita os atacaram, agredindo os manifestantes e jornalistas.

Durante a manifestação, muitas vezes, pequenos grupos de fascistas se separaram do movimento para que a polícia não pudesse controlar a marcha. Os neonazis atacaram com fogos de artifício e outros objetos, vários manifestantes antifascistas acabaram feridos e precisaram ser levados para o hospital.

Em Chemnitz, se mobilizou todo o espectro da extrema-direita: desde os populistas de direita da "Alternativa para Alemanha" (AfD), até diversos grupos neonazis e hooligans de outras cidades de Sajonia. Isto demonstra, mais una vez, que a AfD agora se une com grupos fascistas nas ruas e pode se tornar o braço parlamentar deste movimento. Nas eleições gerais do ano passado, a AfD se alçou nesta parte do país com 22%, quase dez pontos, mais que a média nacional (12,6 %).

Seu deputado nacional, Markus Frohmeier, inclusive defendeu essa “caça” em seu Twitter, chamando as milícias fascistas de "defesa cidadã". Durante a manifestação, se mostrou, repetidamente, saudações fascistas. No domingo, jornalistas e manifestantes locais falaram sobre o clima na cidade, e que era “semelhante ao pogrom", em referência aos ataques massivos contra minorias étnicas e religiosas, famosas na Rússia czarista, sobretudo contra os judeus.

A polícia, com total descaso, afirmou estar "oprimida" pela situação. O governo da chanceler Angela Merkel qualificou os ataques neonazistas como uma "intolerável incitação xenófoba". O porta-voz do governo, Steffen Seibert, condenou qualquer tipo de assédio contra estrangeiros e declarou que "na Alemanha não há espaço para justiça com as próprias mãos, para grupos que querem propagar o ódio nas ruas, para a intolerância e para o extremismo". Todas as declarações são hipócritas, pois a política do estado sobre a questão migratória vem fomentando a xenofobia e estigmatizando a imigração que eles mesmos provocam, com sua orientação bélica no Oriente médio e várias outras regiões.

No pogrom de 1992 no bairro de Lichtenhagen, Rostock (ex-Alemanha Oriental), a polícia também afirmou ter sido superada pela situação. Nessa época, também havia deixado que os xenófobos atacassem os migrantes, ateando fogo em suas casas, em muitos casos com gente dentro. Pelo contrário, haviam impedido que os antifascistas chegassem nos lugares atacados e protegessem os imigrantes.

Naquele momento, a "Casa de Girasol" em Rostock Lichtenhagen, que era destino do pogrom, estava ocupada, principalmente, por imigrantes vietnamitas que trabalham com baixos salários e más condições de trabalho nas fábricas de Rostock.

É urgente fortalecer a mobilização nas ruas, contra a extrema-direita e impulsionar a unidade da classe trabalhadora local e imigrante, em cada fábrica, escola, bairro ou lugar de trabalho, para dirigir a indignação contra nossos verdadeiros inimigos, os capitalistas os políticos assalariados.




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