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Milan Kundera confundiu o comunismo com o stalinismo ou é isso mesmo?

Dúvidas sobre o romance A Brincadeira de Milan Kundera.

Fábio Nunes

Vale do Paraíba

segunda-feira 25 de julho de 2016| Edição do dia

O objetivo aqui é expressar algumas dúvidas que apareceram durante a leitura de A Brincadeira, primeiro romance do escritor checo Milan Kundera, publicado em Praga na primavera de 1967.

O romance conta a história de Ludvik, um homem de 37 anos que na juventude, quando ainda era militante do Partido Comunista, resolveu fazer uma brincadeira e escreveu um postal para uma amiga: "O otimismo é o ópio do gênero humano! O espírito sadio fede a imbecilidade. Viva Trotsky!" Ludvik foi expulso do partido e condenado a trabalhos forçados nas minas de carvão.

O livro foi um sucesso de vendas logo nos primeiros meses de seu lançamento e no começo de 1968 recebeu o prêmio anual da União dos Escritores Tchecos. Pouco depois, com a invasão stalinista da antiga Tchecoslováquia o romance foi retirado de circulação e proibido. Kundera, também autor do famoso A Insustentável Leveza do Ser (1984) foi acusado de incentivar o individualismo pequeno burguês e conspirar contra o Estado Operário.

Banido pela burocracia stalinista e aplaudido pelos países capitalistas do Ocidente, A Brincadeira suscita inúmeros debates e dúvidas. Não ficou claro para mim, por exemplo, se o autor tem noção da enorme diferença que existe entre o comunismo e o stalinismo, parece confundir teoria revolucionária do proletariado com a casta assassina que derrotou as revoluções operárias no século vinte.

Uma não distinção (consciente? inconsciente?) geradora de um profundo ceticismo, pois se a revolução socialista é isso aí que a experiência mostrou por que a classe trabalhadora vai se organizar e construir um partido revolucionário? A revolução foi traída, como afirma Trotsky ou a burocratização é um desenvolvimento "natural" do comunismo?

Esse comunismo=stalinismo serviu (e serve) para alimentar a ideia tão propagada pelo capitalismo de que os projetos coletivos e a transformação radical da sociedade são apenas ilusões que resultam em tragédias?




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