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Mídia brasileira esconde o triunfo nas ruas contra reforma da previdência de Macri

Após a grande manifestação na Argentina que barrou a votação da reforma da previdência naquele país, vimos o silencio da mídia brasileira sobre essa importante vitória da luta dos trabalhadores. Seria medo dessa noticia colocar “fogo na palha” dos brasileiros e despertar a luta aqui também?

sexta-feira 15 de dezembro de 2017| Edição do dia

No momento que o governo de Michel Temer (PMDB) buscava de todas as formas conseguir votos parlamentares para passar a reforma da previdência no Brasil, o governo Argentino de Mauricio Macri foi derrotado pela luta dos trabalhadores na sua tentativa de acabar com a aposentadoria dos argentinos.

Com algumas notas rápidas citando os atos e o adiamento da votação, a grande mídia buscou apagar o fato que a luta ativa dos trabalhadores, sindicatos combativos e da esquerda revolucionária argentina que derrotou o governo. Os jornais G1 e Folha de São Paulo falaram de "protestos violentos", usando a retórica da violência para tentar tornar o ato antipopular. Ignorando a violência estatal da polícia e da reforma que vai fazer as pessoas não se aposentarem e os aposentados passarem fome.

Já o El Pais Brasil falou em "incidentes graves", quase uma piada como se o ato, previamente organizado e preparado, que fez o presidente Macri recuar, fosse apenas um "incidente". Já o jornal Estado de São Paulo simplesmente ignorou o fato e não noticiou nada, pautado na ignorância ou no medo da notícia incentivar os trabalhadores no Brasil.

Macri já havia sido derrotado há alguns meses atras na sua tentativa de passar a reforma trabalhista no país. Nesse caso também ocorreu por conta da organização e luta operária: a reforma trabalhista foi barrada por conta da luta dos trabalhadores da fábrica PepsiCo contra 600 demissões na empresa. Essa luta em uma fábrica multinacional ganhou repercussão nacional gerando amplo apoio popular, e sendo o fator fundamental para impedir que em meio a luta o governo conseguisse impor um ataque a toda a classe trabalhadora.

Nos dois casos a ação decidida da esquerda revolucionária, com destaque a atuação do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas), foi determinante. Usando do peso parlamentar, de campanhas nacionais e ações originais e decididas, como atos, cortes de ruas, festivais etc, para vencer a luta sem dar trégua ao governo.

Saiba mais - Esquerda argentina barra a reforma da previdência de Macri

A grande mídia brasileira, que sabe desse fato, busca esconder o que esta por trás do adiamento da reforma argentina. No Brasil é uma das grandes aliadas do governo para a aprovação das reformas, fazendo campanhas nacionais pelos ataques, noticiando as verdadeiras mentiras sobre o chamado “déficit da previdência”, para tentar justificar a retirada da aposentadoria de milhões de pessoas. Com exceção, claro, eles mesmos, o governo, os empresários e juízes, que chegam a receber 47 mil de aposentadoria.

Esconder que a foi através da luta que se barrou a reforma é fundamental para impedir que essa ideia “pegue” entre os trabalhadores no Brasil. Temer também contou com a traição das centrais sindicais para passar os ataques, o movimento na Argentina mostra a diferença que faz uma esquerda combativa e revolucionária que organiza a luta passando por cima do freio das direções sindicais burocráticas.

Os acontecimentos internacionais podem influenciar e servir de exemplo, afinal apesar da distância, a classe trabalhadora vive a mesma exploração, e não possui fronteiras em seu combate ao capitalismo. Enquanto a mídia tenta esconder esse fato, a rede internacional de diários que compõe o Esquerda Diário no Brasil, o La Izquierda Diário na Argentina e em diversos outros países, é justamente a mídia que busca organizar as lutas e difundir ideias de esquerda e revolucionárias que mostrem que existe uma alternativa anticapitalista a crise.

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