Internacional

SUPLEMENTO DA FT-QI

México: Movimiento de los Trabajadores Socialistas (MTS)

quinta-feira 16 de maio| Edição do dia

No México, Andrés Manuel López Obrador (AMLO) e seu partido Movimento Nacional de Regeneração (MORENA) chegaram ao governo apresentando-se como uma alternativa "progressista" aos antigos partidos da direita. A AMLO obteve 32 milhões de votos e gerou amplas expectativas populares.

Os programas de assistência social e outras medidas que promove, como a revogação da odiada reforma educacional, não apenas não resolvem todas as aspirações daqueles que votaram nele, mas são acompanhados de ações para se aproximar dos empresários e do imperialismo ianque. Suas medidas vão desde a nova Guarda Nacional com a qual continua a militarização do país e as demissões de funcionários públicos em nome da suposta "austeridade republicana", até a reforma trabalhista reacionária que legaliza os ataques dos patrões, passando por sua recusa ao direito ao aborto em todo o país.

Diante disso, no último dia 8 de março, o Pan y Rosas México participou de uma forma extraordinária da mobilização do Dia Internacional da Mulher, com um contingente de 600 pessoas, liderado por professores, trabalhadores universitários, funcionalismo e outros setores, levantando a luta pelo direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito, e contra o feminicídio e a precarização do trabalho.

Desde o início de 2019, as aspirações por mudança entre os trabalhadores e setores populares levou à maior onda de greves nos últimos 20 anos: 70.000 operários da indústria paralisaram suas atividades por semanas em Matamoros, Tamaulipas, mostrando que o proletariado mexicano não só existe, como tem vontade de lutar.

Isso fez com que outros setores de trabalhadores se mobilizassem por suas demandas, como é o caso da histórica greve do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Autônoma Metropolitana, e dos combativos professores e trabalhadores a serviço do Estado.

O Movimento dos Trabalhadores Socialistas (MTS), e os grupos que impulsionamos em diferentes sindicatos (como o Nuestra Clase no ensino, Desde las Bases entre os trabalhadores universitários e Trabajo Digno no funcionalismo), participou nestes processos de luta, desenvolvendo uma intensa atividade de solidariedade nacional e internacional, e estava presente em Matamoros, lutando também para que as centrais sindicais apoiassem ativamente os trabalhadores grevistas e convocassem uma greve nacional.

Anteriormente, os jovens universitários haviam saído maciçamente contra os grupos de choque (porros) financiados pelas autoridades. Milhares de estudantes se mobilizaram durante semanas, com grande destaque dos jovens entre 15 e 18 anos, ocupando escolas e faculdades e organizando-se em assembleias, processo no qual participou ativamente a Agrupación Juvenil Anticapitalista, conformada pela juventude do MTS e independentes, e presente em dezenas de estabelecimentos de ensino.

Nos últimos meses de 2017 as imagens de caravanas de milhares de migrantes que atravessam o país até a fronteira com os Estados Unidos chocaram o mundo, e colocaram na ordem do dia a necessidade de que os trabalhadores no México e nos EUA lutem juntos contra o muro de Trump, por plenos direitos sociais e políticos aos migrantes; e agora também contra a subordinação do governo AMLO às políticas migratórias da Casa Branca. O La Izquierda Diario Mexico tem se destacado desde então por fazer uma ampla cobertura da caravana durante seu percurso pelo país, para que a voz dos migrantes possa ser ouvida. Fizemos isso em conjunto com o jornal Left Voice nos Estados Unidos, promovendo a solidariedade internacional em ambos os lados do Rio Grande, tomando como própria a consigna "a classe trabalhadora não tem fronteiras".

O MTS, que em 2018 teve a sua segunda participação eleitoral na Cidade do México, com uma candidatura encabeçada por duas mulheres trabalhadoras socialistas (a professora Sulem Estrada, e a trabalhadora universitária Miriam Hernandez) vem desenvolvendo várias iniciativas para divulgar as ideias do marxismo revolucionário.

Um exemplo disso é o lançamento da revista Ideas de Izquierda MX, e o Centro de Estudos, Pesquisas e Publicações Leon Trotsky do México. Os trabalhadores, jovens e mulheres organizados no MTS e no Pan y Rosas estão presentes em fábricas, centros de trabalho e estudo da região metropolitana (Cidade do México e do Estado), Jalisco, Chihuahua, Sonora, Coahuila e Yucatan e promovem o jornal La Izquierda Diario México, que recentemente alcançou 450.000 visitas mensais. Lutamos para construir uma grande organização da classe trabalhadora, que levante uma política alternativa ao oficialista Morena e à oposição de direita, numa perspectiva anti-imperialista, socialista e revolucionária.




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