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México: Imigrantes denunciam assédio por parte de agentes mexicanos de migração

O governo mexicano aliado à política imperialista dos Estados Unidos decidiu prender imigrantes africanos, recorrendo a mentiras e, inclusive, repressão.

segunda-feira 2 de setembro| Edição do dia

Através do twitter, a Alianza de las Américas, uma ONG de migrantes latino-americanos já estabelecidos nos Estados Unidos, divulgou uma declaração emitida pela Asamblea de Migrantes Africanos, que se encontram refugiados em Tapachula, Chiapas, pela qualexigem que o governo do México respeite e pare de violar seus direitos humanos. Manifestaram que seus direitos de migração para um lugar onde se sintam mais seguros estão sendo violados, no caso, se refugiar no Canadá ou nos Estados Unidos.

Em comunicado, afirmaram:

“Exigimos aos agentes de segurança do Estado que cessem o uso de violência e deixem de reprimir nosso legítimo protesto, assim como as autoridades de migração que resolvam nossa situação o quanto antes e parem com sua hostilidade”

Isto ocorreu apenas alguns dias depois da Guarda Nacional (GN) reprimir um protesto pacífico de imigrantes procedentes do continente africano e do Haiti no dia 27 de agosto, que alegavam que passam vários meses presos no México sem o governo Morena [partido do presidente mexicano] oferecer qualquer proposta de solução... Na mesma ocasião, os integrantes da GN também agrediram os jornalistas que estavam documentando a arbitrariedade das autoridades.

Inconformados, alegaram ser um grupo com cerca de 3 mil integrantes entre os quais há crianças, homens e mulheres, ou seja, famílias inteiras procedentes de Burkina Faso, Camarões, Angola, Etiopia, Gana, Mali, Libéria, Mauritânia, Guiné, Eritreia entre outros lugares. Reforçaram que se saíram de seus países de origem não foi por capricho, mas por necessidade, são expulsos pela guerra e pela violência que os afligem diariamente em seus lugares de origem.

Narraram sua travessia para chegar ao México, que incluiu passar por pelo menos oito países, onde foram vítimas da fome, do frio e da discriminação. Atravessaram a selva e viram morrer seus companheiros na tentativa de buscar uma vida melhor. Além disso, tiveram que suportar a extorsão das autoridades dos países pelos quais tiveram de cruzar, entre eles Panamá, Honduras, Nicarágua, Guatemala e, claro, México.

As autoridades mexicanas, em específico, nos últimos dias, os obrigaram a assinar documentos em espanhol, idioma que não entendem, violando o direito a ter acesso a um intérprete e tradutor para entender os documentos em suas próprias línguas, tudo isto na Estação Migratória Século XXI, em Tapachula.

Além disso, a Guarda Nacional mexicana mentiu aos imigrantes, prometendo que, assinado os documentos, poderiam viajar sem problemas de detenção. No entanto, quando alguns tentarem deixar Tapachula foram presos arbitrariamente e mandados de volta. As autoridades mexicanas começaram também a cometer negligências ou “erros”, escrevendo erroneamente o nome dos imigrantes, questões cometidas pelos agentes do próprio Instituto Nacional de Migração (INM), dificultando ainda mais os seus procedimentos de admissão.

López Obrador, ao gosto do imperialismo

O governo de Andrés Manuel López Obrador (AMLO) tem mantido um duplo discurso frente à crise migratória, já que, por um lado, declara que é “questão de tempo para atenuar o fenômeno da imigração”, enquanto esconde que na realidade está adotando medidas reacionárias desde que Trump o ameaçou com tarifas caso não adotasse medidas para frear os imigrantes. Nega que sua política seja repressiva, que viola os direitos humanos (em um país onde já existe uma profunda crise dessa natureza). Com ela, se mostra a verdadeira função da Guarda Nacional: a repressão.

Inclusive, na época, chegou a afirmar que os protestos: “não irão resultar em nada”.

“E não vamos ceder, porque isto que tem acontecido em Tapachula tem como propósito obrigar as autoridades mexicanas a dar autorizações para que os imigrantes consigam chegar aos Estados Unidos. Não podemos fazer isso, não cabe a nós. Portanto esses protestos não irão resultar em nada.”

Grande parte dessa declaração parece copiada dos tweets de Donald Trump. Daí as farsas e manobras com as quais enganaram os imigrantes, já que o documento oficial que lhes foi entregue [pelo serviço público do Estado Mexicano] lhes dizia que, uma vez que recebessem o mesmo, deveriam deixar o país após 20 dias, sem especificar em qual fronteira. Mas isso foi modificado em 10 de julho deste ano, quando um documento oficial assinado por Ana Laura Martínez de Lara, ex-diretora geral de controle e verificação de imigração do INM, estabeleceu que os imigrantes tinham duas opções: ou se regularizar ou deixar o país pela fronteira sul.

Isso vai totalmente ao encontro da política imperialista estado-unidense. Por exemplo, há poucos dias, vazaram documentos da Casa Branca que revelaram seus planos de converter o Panamá em um “Terceiro país seguro”. Frente a esse vazamento, tanto o presidente da nação centro-americana, Laurentino Cortizo, quanto o secretário interino do Departamento de Segurança Nacional, Kevin McAleenan, o negaram.

No entanto, McAleenan disse estar interessado em fazer parte de uma reunião com os países da América Central para discutir a questão da segurança referente à imigração ilegal extracontinental, sobretudo vinda da África e da Ásia. Ou seja, existe toda a intenção de alinhar o México e os países da América Central aos novos propósitos da política imperialista, uma vez que a intenção dessa potência é precisamente conter os fluxos migratórios de outros continentes, de pessoas que fogem da pobreza e da violência, as quais foram justamente criadas por potências imperialistas em todo o mundo.

É necessário que os trabalhadores e outros setores oprimidos nos solidarizemos com os imigrantes, pois, como nós, são trabalhadores que buscam apenas melhorar suas condições de vida. Algo que não pode ser alcançado com os governos capitalistas, por mais de esquerda que se apresentam em seus discursos, como é o caso do partido Morena.




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