Sociedade

PRIVATIZAÇÃO METRÔ SP

Metroviários organizam dia de luta contra a privatização e pela readmissão dos demitidos

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e militante do Movimento Nossa Classe e Pão e Rosas

segunda-feira 12 de outubro de 2015| Edição do dia

Há um ano, no dia 8 de setembro de 2014, 33 metroviários demitidos na greve de 2014 estavam sendo reintegrados aos seus postos de trabalho com uma decisão judicial que os mantiveram na ativa por quase 3 meses, quando no dia 24 de dezembro foram demitidos novamente por terem sua liminar de reintegração caçada na justiça. Com o intuito de reviver e relembrar esta importante luta protagonizada pelos metroviários em 2014, que a beira da Copa do Mundo deixou todos os governos estarrecidos, os metroviários iniciam uma série de atividades contra a privatização da Linha 5 do Metrô e pela readmissão dos demitidos, agora dia 8 de todo o mês.

Todas as atividades partiram de discutir a necessidade de seguir a luta contra a privatização do governador Geraldo Alckmin, que no mês de julho anunciou a privatização da Linha 5 do Metrô (http://www.esquerdadiario.com.br/L5EDOPOVO). Esta atitude criminosa do governador de São Paulo faz parte do seu projeto de desmonte dos serviços públicos do estado de São Paulo, que junto à privatização do Metrô implementa agora a reorganização escolar (http://www.esquerdadiario.com.br/Mais-de-25-cidades-protestam-contra-o-fechamento-de-escolas-no-estado-de-Sao-Paulo) que fechará dezenas de escolas públicas no estado, sucateando ainda mais a educação fechando escolas e super-lotando as outras, assim como também o desmonte da USP (http://www.esquerdadiario.com.br/Luta-contra-ajustes-na-USP), onde os trabalhadores seguem lutando pela manutenção dos postos de trabalho.

O sucateamento dos transportes que Alckmin a muito tempo vem implementando, conta com a precarização dos serviços de atendimento ao usuário com um quadro de funcionários irrisório, péssimas condições de trabalho, aumento da terceirização, aumento da tarifa, superlotação, fechamento dos concursos públicos e inúmeras outras atitudes em nome do lucro, desvio de dinheiro e de mais corrupção. Ainda essa semana Alckmin anunciou que documentos importantíssimos do Metrô como os que envolvem a expansão da malha metroferroviária do estado estariam agora sob sigilo absoluto por 25 anos (!), onde o governo quer claramente esconder para a população a dramática situação dos transportes.

Na parte da manhã do dia 8, quinta-feira, as 8h, os trabalhadores do Pátio da Manutenção da Linha 1 Azul, no Jabaquara, se reuniram em grande reunião setorial. Os trabalhadores, que costumam fazer suas reuniões dentro do pátio, desta vez a organizaram na parte de fora dos portões em solidariedade aos demitidos da greve, que hoje estão impedidos de entrarem nos pátios de manutenção, em uma grande demonstração de solidariedade aos companheiros demitidos.

Às 15h os demitidos do Metrô, o Sindicato e diversos metroviários se reuniram na estação Ana Rosa, da Linha 1 Azul, para denunciar Alckmin e Dilma para que os trabalhadores não sejam os responsáveis por pagar as contas da crise econômica, e reivindicaram que se construa hoje um grande polo da esquerda para se levantar contra os ajustes. Vejam abaixo as falas do Presidente do Sindicato dos Metroviários Altino Prazeres, assim como fala de Marilia, demitida política e Felipe Guarnieri, delegado sindical e membro da CIPA da Linha 1 do Metrô:

Altino: https://youtu.be/aSeYwFXQRB0

Marilia: https://youtu.be/kt-OQriVLJo

Felipe: https://youtu.be/SSwrO0siS3Q

Às 19h deu início na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) uma audiência pública que lançou a Frente Parlamentar em Defesa do Metrô, que contou com a presença de diversas entidades e sindicatos trabalhistas, além de deputados que defendem o transporte público e de qualidade para a população, como é o caso do Deputado Estadual Raul Marcelo. A mesa de abertura contou com Altino, presidente sindicato, Paulo Pasin, Presidente da Fenametro, e Raul Marcelo, do PSOL, Lucio Gregório e Toninho Vespera, também do PSOL. A Frente parlamentar conta com 24 deputados de diversos partidos, e também com o apoio de Carlos Gianazzi, do PSOL. A sessão iniciou também com uma saudação da Luiza Erundina, que é responsável hoje na ALESP por uma emenda que prevê a anistia dos demitidos do Metrô das greves de 2007 e 2014.

A Frente Parlamentar denunciou a privatização da Linha 5 lilás e a falta de democracia da direção do Metrô, que tem perseguido trabalhadores restringindo o direito à greve e demitindo seus funcionários.

Após o término da mesa, foi aberto para o plenário fazer falas e saudações. Lourival Aguiar, demitido político da última greve dos metroviários, fez uma fala em nome do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) sobre a necessidade que esta frente parlamentar esteja à frente da luta dos trabalhadores, partindo do exemplo da Frente de Esquerda na Argentina, que no último mês organizou uma grande campanha pela readmissão dos demitidos do Metrô de São Paulo como o Esquerda Diário informou semana passada. (http://www.esquerdadiario.com.br/Deputados-do-PTS-realizam-grande-campanha-na-Argentina-em-defesa-da-reintegracao-dos-metroviarios)

Após a audiencia pública, o Deputado Estadual Raul Marcelo falou ao Esquerda Diário sobre as perspectivas da Frente Parlamentar em defesa do Metrô, veja o vídeo:

Raul Marcelo https://youtu.be/aT7GkMTWq2s




Tópicos relacionados

Sociedade   /    Metrô   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar