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Metroviários de SP repudiam demissões em massa de terceirizadas

São mais de duzentas demissões de trabalhadoras da empresa Liderança, que presta serviços de venda de bilhetes e recarga de bilhete único no metrô; dezenas de demissões na empresa Guima Consecco que presta o tão importante serviço de limpeza na linha 03 vermelha; demissões sistemáticas e ameaças às trabalhadoras da empresa de limpeza Works da linha azul e pelo menos uma dezena de demissões na empresa Meta flora que presta serviços de jardinagem no metrô.

quarta-feira 17 de junho| Edição do dia

Há duas semanas, temos recebido denúncias de demissões em diversas empresas terceirizadas que prestam serviços no metrô de São Paulo. À revelia da situação do país, em meio a uma crise sanitária e social, o metrô de São Paulo lava suas mãos no que diz respeito a vida e sobrevivência de centenas de trabalhadores.

São mais de duzentas demissões de trabalhadoras da empresa Liderança, que presta serviços de venda de bilhetes e recarga de bilhete único no metrô; dezenas de demissões na empresa Guima Consecco que presta o tão importante serviço de limpeza na linha 03 vermelha; demissões sistemáticas e ameaças às trabalhadoras da empresa de limpeza Works da linha azul e pelo menos uma dezena de demissões na empresa Meta flora que presta serviços de jardinagem no metrô.

No caso da liderança, o motivo apresentado por algumas supervisoras da empresa é que o metrô deu a ordem de demissão, provavelmente para cortar gastos, devido ao fechamento de cabines de recarga. A Guima e a Works, que perderam a concessão dos serviços de limpeza nos terminais de ônibus (privatizados), tem essa como principal motivação apresentada.

Mas junto com essas duas empresas estão a Works e a Meta flora com denúncias de assédio ligadas as demissões. Estão mandando embora trabalhadoras e trabalhadores com histórico de doenças crônicas e que foram afastados de suas funções ou foram obrigados a tirar suas férias para poderem cumprir quarentena. O medo da demissão era vivo desde o começo da pandemia quando as trabalhadoras saíam de férias forçadas com o sentimento de que perderiam o emprego assim que retornassem. É revoltante saber que esses trabalhadores, em sua maioria mulheres negras, estão em casa, cuidando de seus filhos e familiares convivendo com o fantasma da demissão e da fome e o medo da morte pelo covid.

Nesse contexto de crise, se mostra a faceta mais cruel da terceirização. Para proteger seus lucros e se prevenirem de arcar financeiramente com uma cada vez mais alta ameaça de adoecimento de seus funcionários, demitem e perseguem aqueles que buscam se valer de um direito básico que vem sendo arrancado há décadas no país: o direito a licença de saúde remunerada. Ao mesmo tempo que essas empresas jogam na rua trabalhadores dos grupos de risco, super exploram sua mão de obra sem os mais elementares equipamentos de proteção individual (EPIs). Na Works, as trabalhadoras receberam uma máscara caseira de TNT (tecido não tecido) que são obrigadas a lavar em suas casas. A Liderança demorou mais de um mês para disponibilizar álcool em gel para as cabines, e agora providencia um álcool em gel de procedência duvidosa, de textura pegajosa (suspeitam que é misturado com algum outro produto) que é reposto em embalagens vazias do álcool de maneira totalmente irregular e sem nenhuma máscara fornecida pela empresa. Há relatos de que as funcionárias usam seu próprio álcool em gel. Na Meta flora, não há nem sombra de máscaras ou álcool para os funcionários que circulam muitas vezes por várias estações de metrô expostos ao contágio.

Tudo isso ocorre sob o silencio e conivência do Metrô de São Paulo e do Estado. Tanto Alexandre Baldi (secretário de transportes do Estado de São Paulo) quanto Dória, tem falado sobre o quanto o Metrô de São Paulo é limpo e garante todas as medidas de proteção à saúde dos trabalhadores. Fazem essas propagandas através das redes sociais e televisão para esconder a escandalosa situação que são submetidos os terceirizados. Falam de responsabilidade social, solidariedade, mas garantem antes de tudo o direito das empresas contratadas demitirem de acordo com a necessidade dos lucros.

Recentemente, o Metrô conseguiu derrubar na justiça uma decisão que impunha ele garantir máscaras e álcool em gel para todos os trabalhadores inclusive terceirizados. Nem antes nem depois dessa decisão a empresa fez nada para garantir a proteção necessária para os terceirizados que continuam sem EPIs e receosos de tirar licenças médicas por perigo de demissão, obrigando-os a trabalharem muitas vezes doentes.

Baixos salários, assédio, retirada de direitos, humilhação, essa é a realidade “rentável” da terceirização. Mas ela não só ataca os terceirizados, e sim, a classe trabalhadora como um todo, nos dividindo entre efetivos e terceirizados. Enquanto o número de trabalhadores de categorias mais organizadas com sindicatos fortes e mais estabilidade são cada vez menores, e assim tem seu poder diminuído, os trabalhadores precarizados (terceirizados, temporários, informais e de aplicativos) que somam hoje quase a metade dos trabalhadores do país, estão soltos à própria sorte, ou tendo que fazer negociações individuais com os patrões, ou nas mãos de sindicalistas pelegos aliados aos patrões. Essa divisão enfraquece a classe trabalhadora como um todo e rebaixa nosso poder de luta contra o governo e os patrões.

Contra isso, precisamos de unidade de todos os trabalhadores numa luta comum contra esse governo antipopular e de direita e todas suas alas. Por isso, categorias fortes e com tradição de luta como os metroviários de São Paulo tem que tomar em suas mãos as demandas mais sentidas pelos trabalhadores precários, denunciando cada ataque e assédio cometido por essas empresas, propondo formas de organização conjuntas contra os ataques do governo, as reformas e todas as medidas de ataque que virão fruto da crise atual. Por isso nós do movimento Nossa Classe, minoria na diretoria do sindicato dos metroviários, propomos uma campanha de fotos nos locais de trabalho contra as demissões dessas funcionárias, para começarmos uma grande campanha de denúncia a esses absurdos promovidos por essas empresas com aval do Metrô e do governo Doria.

Contra as demissões: estabilidade de emprego e cancelamento de todas as demissões desde o início da pandemia!

EPIs adequados para todos os terceirizados!

Contra o assédio, baixos salários e a perca de direitos: incorporação de todos os terceirizados ao quadro efetivo do metrô e de todas as empresas contratantes!




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